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2021

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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DECISÕES ÉTICAS EM CUIDADOS INTENSIVOS PEDIÁTRICOS: PERCURSO DE DEZ ANOS

Inês Salva1, Marta Oliveira1, Gabriela Pereira1, João Estrada1, Margarida Santos1

1 - Unidade de Cuidados Intensivos Pediátricos, Área de Pediatria Médica, Hospital de Dona Estefânia, Centro Hospitalar de Lisboa Central, EPE

Divulgação:
- XVIII Reunião Nacional de Cuidados Intensivos Pediátricos. Porto, 16 de abril de 2015 (Poster com apresentação)
- Reunião da Área de Pediatria Médica do Hospital de Dona Estefânia, Centro Hospitalar de Lisboa Central, EPE. 30 de junho de 2015

Resumo:
Introdução: Os avanços da medicina levaram ao aumento progressivo da patologia crónica em pediatria, que se tem vindo a refletir nos internamentos em cuidados intensivos. As decisões de não tentar reanimar, limitação ou retirada de suporte necessitam de uma avaliação individualizada, baseada em considerações quanto à sobrevida, grau de incapacidade e qualidade de vida, não sendo, portanto, passíveis de padronização.
Objetivo: Caracterizar os doentes internados numa Unidade de Cuidados Intensivos Pediátricos (UCIP) em que houve necessidade de tomada de decisões de limitação do esforço terapêutico.
Material e métodos: Estudo descritivo retrospetivo transversal das características clínicas e sócio-demográficas das crianças com decisão de limitação do esforço terapêutico entre 2005 e 2014 e estudo comparativo da evolução temporal, com recurso ao processo clínico e análise estatística em Excel®.
Resultados: Nos 10 anos do estudo houve um total de 3231 internamentos e 140 óbitos (4,3%), tendo existido uma decisão de limitação de esforço terapêutico em 59% dos óbitos (83). Destes, 53% eram do sexo masculino e a mediana de idades era de 2,8 anos (mín 0,2; máx 18). A proveniência foi de um serviço do hospital em 56% e de outro hospital em 43%. Os grupos diagnósticos principais foram: respiratório (35%) e neurológico (12%). Em 86% era conhecida patologia crónica prévia, sendo a mais frequente a neurológica e a oncológica (28% e 27%, respetivamente).
A decisão ética mais frequente foi a decisão de não tentar reanimar (100%), seguida de limitação (não escalada) terapêutica (47%) e, por último, a retirada de cuidados (24%).
Houve 98% de doentes com falência de órgão, sendo mais frequentes a falência respiratória (94%), seguida da cardiovascular (60%). Antes da tomada de decisão de limitação foram realizadas ventilação invasiva em 39% e não invasiva em 7%. A perfusão de aminas ocorreu em 39%, as técnicas de substituição renal em 7% e a cirurgia emergente em 11%. Tinham sido efetuadas manobras de reanimação cárdio-respiratória prévias em 12% dos doentes. A maioria (83%) dos doentes faleceu na UCIP. A mediana da duração de internamento foi de 7 dias (mín 1, máx 159).
Ao longo dos 10 anos, o número de doentes com decisão de não reanimação foi variável (min. 2 em 2010 e máx. 20 em 2005), sendo a percentagem de doença crónica relativamente constante.
Discussão: A decisão de limitação do esforço terapêutico é assumida em situações com diagnóstico conhecido e associado a um prognóstico desfavorável, tanto em termos de vida como de qualidade de sobrevida, sendo a patologia crónica um elemento frequentemente associado a este tipo de decisões.
A evolução dos doentes também poderá ditar diferentes graus de investimento ao longo do tempo, o que justifica que existam doentes com decisão de retirada ou limitação de cuidados, após um investimento terapêutico total numa fase inicial.

Palavras Chave: decisão, ética, reanimação, incapacidade, sobrevida.