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2021

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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COLESTASE INTRA-HEPÁTICA NA GRAVIDEZ E HEMORRAGIA INTRACRANIANA NEONATAL: A PROPÓSITO DE UM CASO CLÍNICO

Inês Marques1, Ana Pita2, Sofia Duarte3, Micaela Serelha2

1 Serviço de Pediatria, Centro Hospitalar Barreiro-Montijo, Barreiro
2 Unidade de Cuidados Intensivos Neonatais, Departamento de Pediatria Médica do Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar Lisboa Central, Lisboa
3 Serviço de Neuropediatria, Departamento de Pediatria Médica do Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar Lisboa Central, Lisboa

1-Unidade de Cuidados Intensivos Neonatais, Hospital D. Estefânia, CHLC;
2-Serviço de Neurologia Pediátrica, Hospital D. Estefânia, CHLC

- VI Jornadas Internacionais de Neonatologia / XLIV Jornadas Nacionais de Neonatologia, 5-6 Novembro 2015, Évora (poster)

Introdução: A colestase intra-hepática da gravidez (ICP), apesar de constituir uma situação benigna para a gestante, pode associar-se a complicações fetais e neonatais graves, nomeadamente hemorragia intracraniana. Descrição Caso: Recém-nascido admitido em UCIN por dificuldade respiratória (DMH II). Gravidez vigiada, complicada por ICP. Parto eutócico, às 35+2 semanas de gestação (SG), induzido por agravamento progressivo da colestase. IA 8/9, somatometria adequada à idade gestacional. Foi administrado surfactante, com melhoria progressiva, sendo extubado em D2, CPAP até D4 e em ar ambiente desde D6. Em D2/3 foi detetada hemorragia intra-periventricular (HIPV) com evolução para grau III e extensão parenquimatosa frontoparietal direita. A RMN-CE confirmou os achados ecográficos. Estudo alargado da coagulação normal. Elevação transitória de lactato, aguardando-se resultados definitivos de investigação de doenças hereditárias do metabolismo, normais até à data. Por agravamento da hidrocefalia pós-hemorrágica, associada a letargia e hipotonia, não sendo possível drenagem eficaz por punção lombar, em D12 foi colocado reservatório de Ommaya®. Teve alta para o domicílio em D30, com o dispositivo intraventricular, atendendo à estabilidade clínica e imagiológica, mantendo seguimento regular multidisciplinar. Discussão/Conclusão: A HIPV verifica-se essencialmente ≤ 32 SG. A ocorrência de HIPV III às 35 SG é pouco frequente pelo que se iniciou investigação de causas menos comuns. Discute-se a possibilidade da ICP ter contribuído para a gravidade da HIPV, uma vez que já foi descrita associação desta com HIPV fetal/neonatal. Os autores relembram ainda a importância da vigilância pré e pósnatal cuidada nestes casos, a fim de minimizar a morbimortalidade fetal e neonatal associada.

Palavras-chave: Colestase intra-hepática da gravidez; Hemorragia intra-periventricular; Prematuridade