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2022

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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REACÇÕES DE HIPERSENSIBILIDADE A ANTI-INFLAMATÓRIOS NÃO ESTERÓIDES NUMA POPULAÇÃO PEDIÁTRICA

Cátia Alves1, Ana Margarida Romeira1, Pedro Martins1, Carmo Abreu2, Eva Gomes2, Paula Leiria Pinto1

1 - Serviço de Imunoalergologia, Hospital de Dona Estefânia, Centro Hospitalar de Lisboa Central, EPE, Lisboa
2 - Serviço de Imunoalergologia, Centro Hospitalar do Porto

- European Academy of Allergy and Clinical Immunology Congress 2014 (Poster com discussão)
- XXXV Reunião anual da Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clinica (Poster)
- Prémio de melhor poster apresentado na II Sessão de Posters da XXXV Reunião Anual Da SPAIC

Objectivo: Os anti-inflamatórios não esteróides (AINE) são o 2º fármaco mais frequentemente implicado em reacções de hipersensibilidade em doentes em idade pediátrica. Pretendeu-se analizar um grupo de doentes estudado, em 2 centros de Imunoalergologia do País, por suspeita de reacção de hipersensibilidade a AINE.
Metodologia: Foram incluídos 105 doentes em idade pediátrica que efectuaram avaliação diagnóstica por suspeita de reacção de hipersensibilidade a AINE. Foi feita uma avaliação retrospectiva, através da consulta dos processos clínicos, que permitiu a classificação das reacções, identificar os fármacos implicados e os resultados das provas de provocação medicamentosas (PPM) efectuadas.
Resultados: 55 doentes (52,4%) eram do sexo masculino, com idades compreendidas entre 1 e 17 anos (média 9,43 anos). 48 doentes (45,7%) eram atópicos. 50 doentes tinham rinite, 41 asma e 9 eczema. Os AINE implicados foram ibuprofeno (79% dos doentes), paracetamol (18,1%), AAS (4,8%), nimesulide (2,9%) e etoricoxibe e metamizol (1 doente cada). Em 35 doentes, a reacção suspeita ocorreu nos 60 minutos após a toma. Na 1ª reacção suspeita, 78,1% dos doentes referiram sintomas cutâneos, 18,1% respiratórios, 7,6% digestivos e 4,8% referiram anafilaxia. 42 doentes reagiram mais do que uma vez ao AINE suspeito e 8 doentes reagiram a mais do que 1 AINE. 61 doentes (58,1%) já tinham tolerância comprovada a 1 AINE antes do início da investigação. Dos 105 doentes, 85 (81%) realizaram PPM com o AINE suspeito, com PPM positiva em 3 doentes. 20 doentes (19%) não efectuaram PPM com o AINE implicado devido à gravidade da reacção inicial ou por recusa por parte dos doentes. Destes 20 doentes, 19 realizaram PPM com AINE alternativo, com resultado positivo em 4 doentes. A hipersensibilidade a AINE foi confirmada em 6,7% dos doentes e excluída em 78,1%. A investigação foi inconclusiva em 15,2% dos casos.
Conclusões: A hipersensibilidade a AINE foi comprovada em 7 doentes (6,7%) no nosso estudo. O fármaco mais frequentemente implicado foi o ibuprofeno. As PPM foram essenciais para confirmar/excluir o diagnóstico de hipersensibilidade a AINE e para encontrar uma alternativa terapêutica segura neste grupo farmacológico.

Palavras Chave: reacções de hipersensibilidade a AINEs; população pediátrica