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2024

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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VULNERABILIDADE E RESILIÊNCIA EM CRIANÇAS MIGRANTES: DESAFIOS NA SAÚDE MENTAL

Eva Pereira1, Mariana Maurício1

1- Pedopsiquiatria, Hospital de Dona Estefânia, Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central, Lisboa.

- Reunião nacional “XXXIV Encontro Nacional da APPIA: "Vulnerabilidades", apresentação sob a forma de comunicação oral

Resumo:
Objetivos: Tem-se verificado um grande crescimento da população imigrante em Portugal nos últimos anos, estimando-se que no 1o ciclo, 1 em cada 10 crianças seja de nacionalidade estrangeira. Alguns estudos indicam que crianças imigrantes possam ter um risco aumentado de desenvolver psicopatologia. Com o presente trabalho exploramos a relação da imigração voluntária e a saúde mental de jovens imigrantes, explorando os fatores de vulnerabilidade e resiliência enfrentados pelos mesmos no contexto da adaptação cultural e integração social, bem como a eficácia das intervenções nestes jovens.
Metodologia: Realizou - se uma pesquisa na base de dados Pubmed que englobou artigos científicos publicados nos últimos 10 anos até à data de 30 de setembro de 2024, utilizando na pesquisa os seguintes termos: "children", "adolescents", "mental health" e “immigrants”. Os critérios de inclusão abrangeram estudos quantitativos e qualitativos em vários países, acerca da saúde mental da população imigrante voluntária. Não foram incluídos artigos cujo tema relacionasse a saúde mental com a migração forçada.
Resultados: Identifica-se uma heterogeneidade considerável entre os estudos. Fatores como a interpenetração de culturas, discriminação, barreira linguística, características das famílias, etnia ou idade à data da imigração influenciam o desenvolvimento de psicopatologia. Os laços familiares e culturais e a presença de redes de apoio familiar e social parecem atuar como fatores de resiliência.
Discussão/ Conclusões: É fundamental promover a investigação dentro desta problemática cada vez mais presente na nossa prática clínica a fim de melhor compreender o impacto da migração no desenvolvimento de psicopatologia, de modo a orientar futuras intervenções para mitigar os efeitos negativos da migração e promover a adaptação e bem - estar desta população. Intervenções que reforçam o suporte familiar e psicossocial, assim como políticas públicas de inclusão social, podem reduzir significativamente os impactos negativos na saúde mental.

Palavras Chave: crianças, adolescentes, saude-mental, imigração