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2024

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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TRATAMENTO DE INFEÇÃO CRÓNICA PELO VÍRUS DA HEPATITE C COM GLECAPREVIR_PIBRENTASVIR EM IDADE PEDIÁTRICA - A REALIDADE DE UM HOSPITAL NÍVEL III

Luísa Castello-Branco Ribeiro1,2; Marta Pelicano1,3; Tong Yang1,4; Sara Nóbrega1; Cristina Gonçalves1; Isabel Afonso1

1 - Unidade de Gastrenterologia Pediátrica, Hospital Dona Estefânia, Unidade Local de Saúde São José;
2 - Serviço de Pediatria, Hospital Prof. Doutor Fernando Fonseca, Unidade Local de Saúde Amadora/Sintra;
3 - Serviço de Pediatria, Hospital de São Francisco Xavier, Unidade Local de Saúde Lisboa Ocidental;
4 - Serviço de Pediatria, Hospital de Loures, Unidade Local de Saúde Loures-Odivelas

- Comunicação oral, XXXVI Reunião Anual da Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia, Hepatologia e Nutrição Pediátrica, Porto, 14-15 de março de 2024

RESUMO:
Introdução e Objectivos: A infeção pelo Vírus da Hepatite C (VHC) em pediatria na Europa é rara. A maioria das infeções crónicas é assintomática, havendo risco de cirrose e carcinoma hepatocelular. O glecaprevir/pibrentasvir (G/P), antivírico de ação direta pangenotípico, foi aprovado em 2019 na Europa para tratamento acima dos 12 anos. O objetivo deste trabalho é caracterizar os doentes pediátricos com hepatite C crónica tratados com G/P, entre 2019 e janeiro de 2024, eficácia e efeitos adversos.
Métodos: Estudo retrospetivo e descritivo dos doentes pediátricos com infeção crónica por VHC seguidos em Gastrenterologia num Hospital Central. Consultados os processos clínicos. Analisadas variáveis clínicas, laboratoriais, imagiológicas e histológicas. Análise de dados: Microsoft Excel®.
Resultados: Incluídos 9 doentes, 6/9 do sexo masculino, mediana de idade na primeira consulta de 3 anos e 1 mês (mín 10meses, máx 15anos e 8meses), transmissão vertical em todos. Todos os doentes eram assintomáticos. Um doente tinha realizado previamente tratamento com interferão peguilado e ribavirina sem resposta. 8/9 tinham elevação pré-terapêutica da ALT (mediana 62U/L, mín 30U/L, máx 101U/L). Ecografia abdominal com esteatose hepática em 2 doentes. 7 doentes realizaram elastografia-ARFI® (1 doente F1) e 3 doentes realizaram elastografia-Fibroscan® (2 doentes F0-F1 e 1 doente F1). Um doente realizou biópsia hepática (hepatite crónica de atividade moderada). Todos realizaram G/P (8/9 durante 8 semanas, 1/9 durante 16 semanas por não ser naive a tratamento), com mediana de idade de 13 anos e 10 meses (mín 12anos e 3meses, máx 16anos e 8meses), sem efeitos adversos. Após tratamento, um doente perdeu follow-up. Os restantes tiveram carga viral indetetável e normalização das transaminases às 4 semanas. Às 12 semanas, 5/8 tinham resposta viral sustentada (ainda sem avaliação nos restantes).
Conclusão: Com os antivirais diretos, existe a oportunidade de tratar VHC em idade mais precoce, com esquemas curtos, com excelentes resultados de cura e efeitos secundários mínimos.