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SINTOMAS RESPIRATÓRIOS DE ATLETAS PORTUGUESES EM IDADE PEDIÁTRICA

Tiago Chantre1, Pedro Simão Coelho2, Paula Leiria Pinto2, Inês Alpoim Moreira1, Herédio Sousa1

1 - Serviço de Otorrinolaringologia da Unidade Local de Saúde de São José, Lisboa, Portugal
2 - Serviço de Imunoalergologia da Unidade Local de Saúde de São José, Lisboa, Portugal

- Artigo publicado na Revista Portuguesa De Otorrinolaringologia-Cirurgia De Cabeça E Pescoço, dezembro 2024; Comunicação oral no 71º Congresso Nacional da Sociedade Portuguesa de Otorrinolaringologia e Cirurgia da Cabeça e Pescoço, abril 2024

Resumo:
Introdução: As doenças respiratórias e a sensibilização alérgica têm repercussão conhecida no quotidiano dos atletas. Estas patologias são frequentemente negligenciadas, não sendo avaliadas rotineiramente na medicina desportiva.
Objetivos: O objetivo deste estudo é o de determinar a incidência dos sintomas nasais/respiratórios e alérgicos tanto em atletas em idade pediátrica, como na população não ativa, mostrando a importância da combinação dos questionários Allergy Questionnaire for Athletes (AQUA) e Nasal Obstruction Symptom Evaluation (NOSE) no rastreio destes doentes.
Material e Métodos: Foi realizado um estudo transversal com recurso a um questionário on-line de auto-preenchimento por jovens entre os 12 e 18 anos. Os participantes foram recrutados durante os meses de novembro e dezembro de 2023. Tanto atletas como controlos não ativos preencheram um inquérito composto pelos questionários AQUA e NOSE. Das 436 respostas recebidas, 407 foram consideradas completas e incluídas neste estudo (290 atletas e 117 controlos não ativos).
Resultados: A coorte de atletas consistiu predominantemente de indivíduos do sexo masculino (63.1%, n = 183) com idade média de 15.2 ± 1.7 anos. Ambos os grupos coincidem em termos de distribuição por idade e sexo. A maioria dos atletas eram jogadores de rugby (37.9%, n = 110), seguidos de jogadores de futebol (12.8%, n = 37) e praticantes de ballet (10.3%, n = 30). Infeções das vias aéreas superiores (IVAS) de repetição foram relatadas em 71 atletas (24.5%), por comparação com 14 controlos não ativos (12.0%), o que representa um aumento significativo na incidência de IVAS em atletas (p = 0.0049). Mais de 45% dos atletas faltaram ao treino pelo menos uma vez por ano devido a IVAS e 14.5% faltaram ao treino mais de 3 vezes no ano passado por este motivo. No que diz respeito à sintomatologia, não existiu uma diferença significativa (p = 0.1589) no número de atletas que relataram sintomas nasais (32.8%, n = 95) por comparação com não atletas (25.7%, n = 30); porém, os atletas apresentam pontuações significativamente mais elevadas no questionário NOSE (p = 0.0001). Noventa e cinco atletas (32.8%) referem apresentar pelo menos uma doença alérgica com diagnóstico médico, por oposição a 35 jovens não ativos (29.9%), sem diferenças significativas entre os grupos (p = 0.5776), mesmo no que diz respeito à prevalência de asma (p = 0.4446) ou rinite (p = 0.4390).
Conclusões: A aplicação dos questionários AQUA e NOSE em jovens atletas poderá ser de grande importância na prática clínica já que estas patologias têm repercussão quer na frequência aos treinos, como na qualidade de vida.

Palavras Chave: alergia e desporto, qualidade de vida, questionário AQUA