1 - Serviço de Pediatria, Hospital Divino Espírito Santo Ponta Delgada
2 - Unidade de Neurocirurgia, ULS São José
3 - Unidade de Cuidados Intensivos Pediátricos, Hospital Dona Estefânia, ULS São José
- XXVI - Congresso Nacional de Medicina Intensiva Pediátrica
- Publicação sob a forma de poster
Resumo:
Introdução: A Síndrome da Fossa Posterior (SFP) ocorre após cirurgia a tumor da fossa posterior, sendo os mais frequentes meduloblastoma e astrocitoma pilocítico. Implica deficits neurológicos em três áreas: linguística (mutismo cerebeloso, apraxia orofaríngea), motora (ataxia, hipotonia) e neurocomportamental (impulsividade, labilidade emocional, alterações neurocognitivas). Tem início 24-48h após cirurgia e a sua evolução clínica é imprevisível. A resolução dos sintomas ocorre em meses mas podem persistir défices durante anos.
Relato do caso: Adolescente de 16 anos admitido em UCIP após remoção de tumor da fossa posterior (meduloblastoma). No pós-operatório imediato apresentou vómitos, mutismo cerebeloso, ataxia e marcada agitação psicomotora, sugestivos de Síndrome da Fossa Posterior (SFP). Houve hemorragia da loca cirúrgica 72h após cirurgia, por grave agitação psicomotora. A hidrocefalia obstrutiva subsequente necessitou de derivação externa (DVE) urgente, que manteve durante 18 dias. A agitação psicomotora grave exigiu doses crescentes de propofol, midazolam, dexmedetomidina e alfentanilo, assim como ventilação mecânica invasiva (VMI) durante 11 dias e terapêutica neuroléptica adjuvante com risperidona, quetiapina, olanzapina, e levomepromazina em SOS. Após a extubação, tornaram-se mais evidentes outros sintomas da SFP: tremor de intenção, dismetria, disfagia e alterações neurocomportamentais. A fisioterapia e terapia da fala contribuíram para melhoria clínica. Mantem à data da transferência mutismo, ataxia e apraxia orofaríngea.
Conclusões: No caso que apresentamos, a agitação psicomotora integra as alterações neurocomportamentais da SFP. O controlo sintomático foi difícil e condicionou intervenções invasivas com prolongamento do tempo de internamento. O efeito adjuvante dos neurolépticos permitiu o desmame progressivo da sedação e a extubação do doente. A fisioterapia e terapia da fala contribuíram para a melhoria neurocomportamental. Não há protocolo terapêutico estabelecido para a SFP nem consenso sobre terapêuticas eficazes. O tratamento atualmente mais significativo é a reabilitação, que deve ser mantida a longo prazo. A identificação precoce da SFP pode ser dificultada pela ausência de critérios bem definidos. Contudo, é crucial para a abordagem clínica, uma vez que seu tratamento passa pela atempada implementação de reabilitação.
Palavras Chave: Síndrome da Fossa Posterior, alterações neurocomportamentais


