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2024

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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SÍNDROME DA FOSSA POSTERIOR COMO COMPLICAÇÃO DO PERÍODO PÓS-OPERATÓRIO DE MEDULOBLASTOMA

Diana Simão Raimundo1; Francisco Rebelo2; Andreia Abrantes3; Amets Sagarribay2; Marta Oliveira3

1 - Serviço de Pediatria, Hospital Divino Espírito Santo Ponta Delgada
2 - Unidade de Neurocirurgia, ULS São José
3 - Unidade de Cuidados Intensivos Pediátricos, Hospital Dona Estefânia, ULS São José

- XXVI - Congresso Nacional de Medicina Intensiva Pediátrica
- Publicação sob a forma de poster

Resumo:
Introdução: A Síndrome da Fossa Posterior (SFP) ocorre após cirurgia a tumor da fossa posterior, sendo os mais frequentes medulo­blastoma e astrocitoma pilocítico. Implica de­ficits neurológicos em três áreas: linguística (mutismo cerebeloso, apraxia orofaríngea), motora (ataxia, hipotonia) e neurocomporta­mental (impulsividade, labilidade emocional, alterações neurocognitivas). Tem início 24-48h após cirurgia e a sua evo­lução clínica é imprevisível. A resolução dos sintomas ocorre em meses mas podem per­sistir défices durante anos.
Relato do caso: Adolescente de 16 anos ad­mitido em UCIP após remoção de tumor da fossa posterior (meduloblastoma). No pós­-operatório imediato apresentou vómitos, mutismo cerebeloso, ataxia e marcada agita­ção psicomotora, sugestivos de Síndrome da Fossa Posterior (SFP).  Houve hemorragia da loca cirúrgica 72h após cirurgia, por grave agitação psicomotora. A hidrocefalia obstrutiva subsequente necessi­tou de derivação externa (DVE) urgente, que manteve durante 18 dias.  A agitação psicomotora grave exigiu doses crescentes de propofol, midazolam, dexme­detomidina e alfentanilo, assim como ventila­ção mecânica invasiva (VMI) durante 11 dias e terapêutica neuroléptica adjuvante com risperidona, quetiapina, olanzapina, e levo­mepromazina em SOS. Após a extubação, tornaram-se mais eviden­tes outros sintomas da SFP: tremor de inten­ção, dismetria, disfagia e alterações neuro­comportamentais. A fisioterapia e terapia da fala contribuíram para melhoria clínica. Man­tem à data da transferência mutismo, ataxia e apraxia orofaríngea.
Conclusões: No caso que apresentamos, a agitação psicomotora integra as alterações neurocomportamentais da SFP. O controlo sintomático foi difícil e condicionou interven­ções invasivas com prolongamento do tempo de internamento. O efeito adjuvante dos neu­rolépticos permitiu o desmame progressivo da sedação e a extubação do doente. A fisio­terapia e terapia da fala contribuíram para a melhoria neurocomportamental. Não há protocolo terapêutico estabelecido para a SFP nem consenso sobre terapêuti­cas eficazes. O tratamento atualmente mais significativo é a reabilitação, que deve ser mantida a longo prazo. A identificação precoce da SFP pode ser dificultada pela ausência de crité­rios bem definidos. Contudo, é crucial para a abordagem clínica, uma vez que seu trata­mento passa pela atempada implementação de reabilitação.

Palavras Chave: Síndrome da Fossa Posterior, alterações neurocomportamentais