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2024

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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PRIMEIRAS EXPERIÊNCIAS COM ODEVIXIBAT RESPOSTAS DICOTÓMICAS EM DOENTES SIMILARES

José Maria Lupi1,2; Joana Jonet1,3; Sara Nóbrega1; António Campos4; Cristina Gonçalves1; Isabel Afonso1

1 - Unidade de Gastroenterologia e Hepatologia Pediátrica, Área de Pediatria, Hospital Dona Estefânia, Unidade Local de Saúde de São José;
2 - Serviço de Pediatria, Unidade Local de Saúde do Alentejo Central;
3 - Serviço de Pediatria, Hospital de Cascais;
4 - Unidade de Cuidados Especiais Respiratórios e Nutricionais, Hospital Dona Estefânia, Unidade Local de Saúde de São José

- Comunicação oral, XXXVI Reunião Anual da Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia, Hepatologia e Nutrição Pediátrica, Porto, 14-15 de março de 2024

RESUMO:
Introdução e Objectivos: O odevixibat(ODX) é um inibidor seletivo reversível do transportador ileal de ácidos biliares para o tratamento da colestase intra-hepática familiar primária(PFIC)1. Reduz a reabsorção dos mesmos pela circulação entero-hepática, diminuindo a sua concentração biliar com consequente melhoria sintomática. Sendo um fármaco órfão recentemente aprovado, a experiência com a sua utilização é ainda limitada. Apresentamos os casos de duas crianças do sexo feminino, ambas com diagnóstico de PFIC1 e mutações no gene ATP8B1.
Descrição:
Caso1: 11anos, pais consanguíneos. PFIC1 diagnosticada aos 6 meses durante a investigação de colestase prolongada com GGT normal e má progressão estaturo-ponderal. Mutação homozigótica SB2018-414. Associadamente diagnóstico de doença celíaca, défice de IgGF1 e múltiplos internamentos por infeções e descompensação da doença basal. Medicada com ácido ursodesoxicólico(AUDC), colestiramina, rifampicina, hidroxizina, vitaminas lipossolúveis e pancreatina.
Caso2: 8anos, diagnóstico de PFIC1 aos 3 meses por colestase prolongada com GGT normal e má progressão ponderal. Mutação homozigótica c.697G>A. Medicada com AUDC, rifampicina, hidroxizina, sertralina, vitaminas lipossolúveis e macrogol.
Ambas apresentavam icterícia e prurido multi-refratários com lesões de liquenificação crónica por coceira arrastada. Ambas começaram ODX em maio2023 (40μg/kg/dia). Na primeira criança verificou-se resposta significativa com descida da bilirrubina total e conjugada (18,1-7,2mg/dL; 11,6-5,4mg/dL respetivamente) e consequente resolução de icterícia com melhoria significativa do prurido e lesões de coceira, apesar da má adesão. Contrariamente, na segunda criança não existiu melhoria do prurido ou da bilirrubina, tendo ambos inclusive aumentado. Não se constataram efeitos adversos.
Conclusão: Estes casos enquadram-se na melhoria do prurido e níveis séricos de bilirrubina em 44% dos doentes descrita no estudo de fase32. As potenciais causas da resposta dicotómica ao ODX persistem em estudo. A principal, uma comutação no gene ABCB11, não se verificou na 2ª doente. Salienta-se a diferença das variantes patogénicas encontradas no gene ATP8B1 nas duas doentes, sendo um potencial modificador da resposta terapêutica, a merecer investigação.