1 - Área de Pediatria, Hospital Dona Estefânia, Unidade Local de Saúde São José, Lisboa
2 - Unidade de Nefrologia Pediátrica, Hospital Dona Estefânia, Unidade Local de Saúde São José, Lisboa
3 - Serviço de Pediatria, Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo, Beja
- Reunião da Sociedade de Nefrologia Pediátrica 2024, 15/11/2024, Cascais, Poster.
Resumo:
Introdução: A infeção por Parvovírus B19 (PVB19) constitui uma infeção frequente em crianças, ainda que o envolvimento renal seja incomum. Deste, destacam-se a glomerulonefrite pós-infeciosa, glomeruloesclerose segmentar e focal e microangiopatia trombótica. Apresenta-se o caso de um doente com síndrome nefrítico-nefrótico com achados clínicos e laboratoriais compatíveis com infeção aguda por PVB19.
Descrição de Caso: Rapaz de 6 anos, previamente saudável, recorreu ao serviço de urgência (SU) por febre com 1 semana de evolução e claudicação da marcha, tendo tido alta com o diagnóstico de sinovite transitória da anca, medicado com Ibuprofeno. Readmitido no SU 9 dias depois por edema palpebral, anorexia e prostração. Analiticamente apresentava lesão renal aguda (ureia 147mg/dL, creatinina 1.06mg/dL, TFG 62.3mL/min/1.73m2), hipoalbuminémia (2.04g/dL), hipercolesterolémia (colesterol total 215mg/dL), hematúria microscópica (eritrócitos 300/uL) e proteinúria na faixa nefrótica (razão proteinúria/creatinúria em amostra ocasional 37mg/mg). Foi transferido para a Unidade de Nefrologia por oligúria, hipertensão e hematúria macroscópica. Realizou administração única de albumina e iniciou terapêutica diurética e metilprednisolona (60mg/m2/dia) com melhoria clínica progressiva. Em D3 de internamento iniciou exantema maculopapular na face, de predomínio malar, e extensão ao tronco, sugerindo o diagnóstico de eritema infecioso. Do estudo etiológico, destacam-se achados compatíveis com infeção aguda por PVB19 (Ac anti-PVB19 IgM e IgG positivos e PCR PVB19 no sangue positivo), bem como diminuição de C3 (0.64mg/dL) e C4 normal, com TASO, Ac anti-DNAse B, Ac anti-dsDNA, ANA negativos e restantes serologias virais (EBV, CMV e adenovírus) não sugestivas de infeção aguda. Completou 4 dias de metilprednisolona que suspendeu por heteroagressividade. Por melhoria clínica teve alta ao oitavo dia. No acompanhamento em consulta verificou-se normalização da função renal, pressão arterial, proteinúria e C3, e com TASO negativo. Destacam-se dois episódios de hemato-proteinúria na faixa nefrótica durante intercorrências infeciosas, um deles motivando internamento por hipoalbuminémia e edema marcado.
Conclusões: Este caso ilustra uma etiologia rara de glomerulonefrite, relevando o PVB19 como uma entidade a considerar nesta situação. Ainda que corresponda uma causa rara de glomerulonefrite, a infeção por PVB19 pode associar-se a doença renal crónica com envolvimento histológico variado.
Palavras Chave: glomerulonefrite, Parvovírus B19


