1 - Serviço de Pediatria, Hospital Distrital de Leiria, ULS da Região de Leiria;
2 - Serviço de Pediatria, Hospital de Nossa Senhora do Rosário, ULS do Arco Ribeirinho;
3 - Unidade de Hematologia Pediátrica, Hospital de Dona Estefânia, ULS São José
- Divulgação: Comunicação Oral, VI Jornadas Da Sociedade Pediátrica da Qualidade e Segurança, NOVA Medical School, Lisboa, 13 de Dezembro de 2024
Resumo:
Introdução: A elevada procura por consultas especializadas exerce uma pressão significativa sobre os hospitais terciários, levantando preocupações quanto à adequação das referenciações e à gestão eficiente dos recursos. Esta sobrecarga reduz a capacidade de resposta a casos mais complexos, podendo comprometer a segurança e qualidade do atendimento. Adicionalmente, a fragmentação desnecessária dos cuidados prejudica a continuidade, aumenta a ansiedade dos pacientes e familiares, atrasa intervenções e duplica esforços, impactando negativamente a qualidade global.
Objetivo: Avaliar a adequação dos pedidos de consulta face aos critérios institucionais de referenciação (CIR) estabelecido para a consulta de hematologia pediátrica (CHP) e identificar oportunidades de optimização.
Métodos: Estudo retrospetivo dos pedidos de CHP recebidos num Hospital Terciário na área de Lisboa, entre janeiro e junho de 2023. Foram avaliados tempos de espera, proveniência, motivos de referenciação (MR), cumprimento dos CIR, desfechos clínicos e alta precoce (alta após ≤ 2 consultas).
Resultados: Foram analisados 258 pedidos, 26% dos quais não cumpriam os CIR, tendo sido 13% recusados. A maioria provinha da própria ULS (40%), centro de saúde (26%) e outras ULS (21%). O tempo de espera até à consulta foi 51 dias (IQR 89; 0-202), cumprindo o prazo recomendado em 90%. À data da 1ª consulta (n=212; 13 não comparências), 21% (n=45) dos MR já estavam resolvidos ou não foram confirmados (adenomegalias, alterações transitórias do hemograma ou coagulação, entre outras). Foram confirmadas alterações hematológicas em 70% das crianças avaliadas, com predomínio do estado portador de hemoglobinopatia - traço falciforme e talassémico (29%); anemia de células falciformes (17%); coagulopatia (11%); ferropenia (15%, 9% isoladamente). Verificou-se que 52% tiveram alta precoce.
Conclusão: A maioria das situações poderia ter sido gerida nos cuidados de proximidade, reduzindo sobrecarga hospitalar desnecessária, permitindo uma adequada alocação de recursos às patologias mais complexas e uma maior comodidade para as crianças e família. Para mitigar este problema, propomos:
1. Actualização dos CIR: Critérios mais rigorosos, baseados em risco e complexidade, excluindo condições benignas ou autolimitadas.
2. Capacitação dos médicos referenciadores: Formação contínua via webinar e sessões presenciais periódicas, focadas na orientação das condições excluídas nos CIR e sinais de alarme; checklists e algoritmos claros, a ser anexados aquando recusa de pedido de consulta.
3. Consultoria Remota Especializada: Implementação de períodos de atividade assistencial dedicada ao apoio remoto para discussão de casos menos lineares e esclarecimento de dúvidas.
Estas medidas poderiam reduzir significativamente as referenciações, otimizando os recursos e melhorando a segurança e qualidade nos cuidados.
Palavras Chave: Referenciação, consulta, Hematologia Pediátrica


