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2024

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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NOVAS TECNOLOGIAS — DEPENDÊNCIA DOS ECRÃS

Nádia Barradas1; Sofia Lemos2

1 - Pedopsiquiatria, Unidade de Pedopsiquiatria da Segunda Infância, Hospital Dona Estefânia, ULS São José
2 - Pedopsiquiatria, Unidade de Pedopsiquiatria da Segunda Infância, Hospital Dona Estefânia, ULS São José

- Apresentado no 19.º Encontro para a Promoção da Saúde na Escola | UCC Cacém Care

Resumo:
Introdução: O aumento exponencial do tempo de exposição a ecrãs entre crianças e adolescentes tem suscitado crescente preocupação pelos seus potenciais impactos no desenvolvimento físico, cognitivo, emocional e relacional. A proliferação de dispositivos eletrónicos, o uso precoce e prolongado e o fenómeno do multiscreening contribuem para o surgimento de padrões de uso problemático e mesmo aditivo, com repercussões significativas em contexto escolar, familiar e clínico.
Métodos: Foi realizada uma revisão da literatura científica mais recente com o objetivo de sensibilizar profissionais de saúde escolar para os riscos associados ao uso excessivo de ecrãs. A abordagem integrou aspetos do desenvolvimento, fatores de risco e protetores, critérios clínicos de uso problemático e propostas de intervenção.
Resultados: A exposição excessiva a ecrãs associa-se a múltiplas consequências negativas, como alterações do sono, cefaleia, sedentarismo, dificuldades no controlo dos impulsos, sintomas ansiosos/depressivos e diminuição do rendimento escolar. Em idade pré-escolar, verifica-se uma associação com alterações no desenvolvimento linguagem e interferência no desenvolvimento psicomotor e emocional. Destaca-se a associação entre tempo de uso parental e uso infantil dos ecrãs. O conceito de dependência digital inclui sintomas como tolerância, abstinência, perda de controlo, conflitos e recaída. A Perturbação do Jogo pela Internet está formalmente incluída no manual CID-11. Os adolescentes são particularmente vulneráveis devido à imaturidade dos sistemas de controlo inibitório e maior sensibilidade ao reforço imediato; a Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção, o isolamento social, uma sensação de baixa auto-eficácia e conflitos familiares são fatores de risco relevantes.
Conclusões: O uso excessivo das tecnologias digitais constitui um desafio emergente para a saúde pública infantojuvenil. A intervenção deve assentar na psicoeducação, estabelecimento de regras claras, envolvimento parental ativo e promoção de alternativas saudáveis ao tempo de ecrã. A prevenção precoce, nomeadamente em contexto escolar e familiar, é essencial para mitigar os riscos e fomentar um uso consciente e equilibrado das novas tecnologias.

Palavras Chave: Adolescentes, Crianças, Dependência, Ecrãs, Uso Problemático da Internet