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2024

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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LECLERCIA ADECARBOXYLATA, UM CASO DE ARTRITE SÉPTICA REFRATÁRIA EM IDADE PEDIÁTRICA

Mariana Farinha1, Pedro Jordão2, João Nóbrega2, Vasco Mendes3, Catarina Gouveia1

1 - Unidade de Infeciologia Pediátrica, Área de Pediatria Médica, Hospital Dona Estefânia, Unidade Local de Saúde de São José, Centro Clínico Académico de Lisboa, Portugal
2 - Unidade de Ortopedia Pediátrica, Hospital de Dona Estefânia, Unidade Local de Saúde de São José, Centro Clínico Académico de Lisboa, Portugal
3 - Laboratório de Microbiologia, Departamento de Patologia Clínica, Unidade Local de Saúde São José, Portugal

- Póster, 24º Congresso Nacional de Pediatria da SPP

Resumo:
Introdução: A artrite séptica é uma infeção articular habitualmente causada por Staphylococcus aureus. O seu diagnóstico e tratamento precoce é fundamental para evitar sequelas.
Relato de Caso: Rapaz de 8 anos, saudável, apresenta-se com febre e claudicação com 3 dias de evolução, após trauma do joelho esquerdo. À admissão, pequena escoriação do joelho, recusa carga no membro inferior direito, com edema e calor do joelho, dor à mobilização e limitação da extensão. Analiticamente leucócitos 8680/uL e PCR de 29 mg/L. Raio X do joelho sugestivo de derrame subquadricipital. Submetido a artrocentese, com líquido sinovial com 28000 leucócitos/uL e isolamento de Leclercia adecarboxylata (L. adecarboxylata). Iniciou flucloxacilina, com ajuste para amoxicilina/ácido clavulânico (AAC) de acordo com teste de sensibilidade, que cumpriu durante 5 dias por via intravenosa e manteve por via oral. Em D15 de terapêutica dirigida reinício de febre e agravamento do edema do joelho, associado a PCR de 118mg/L e VS de 59mm/h. Necessidade de artrocentese, com novo isolamento de L. adecarboxylata, resistente a AAC. Cumpriu 2 semanas de meropenem endovenoso e 3 semanas de cotrimoxazol oral. Hemoculturas estéreis. Sem endocardite. Seguimento após 2 semanas, sem queixas, com ligeiro edema do joelho, sem choque da rótula, com limitação da flexão ligeira.
Conclusões: A L. adecarboxylata é um agente raro de artrite séptica, que pode estar associado a multirresistência, sendo o seu tratamento um desafio. Este deve ser um agente a ter em conta, sobretudo se associado a trauma prévio.