1 - Serviço de Pediatria, Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo E.P.E.
2 - Unidade de Nefrologia Pediátrica, Área de Pediatria, Hospital Dona Estefânia, ULS São José.
- II Encontro de Pediatria do Alentejo – Atualização em Patologia Nefrológica, 19-20/9/2024, Auditório do Instituto Politécnico de Beja, Beja, Poster.
Resumo:
Introdução: A Vasculite por IgA (VIgA) é a vasculite sistémica mais frequente em idade pediátrica. A maioria tem uma evolução favorável, sem necessidade de internamento. Uma minoria apresenta complicações renais que estabelecem o prognóstico.
Objetivo: Pretende-se caracterizar os casos de VIgA que apresentaram critérios de internamento nos últimos 5 anos num hospital nível I.
Métodos: Revisão retrospetiva dos internamentos por VIgA desde junho 2019 até junho de 2024. Foram analisadas variáveis demográficas e clínicas.
Resultados: Nos últimos 5 anos foram internados 7 casos de VIgA, todos do sexo masculino, com idade mediana de 6 anos. As principais caraterísticas dos doentes são apresentadas na tabela 1. O principal motivo de internamento foi a afetação articular grave. 3 casos (43%) tiveram apresentação atípica:
Caso 1: 13 anos, antecedentes de epilepsia refratária. Recorreu ao Serviço de Urgência Pediátrico (SuPed) por púrpura palpável, dor abdominal e hematemeses. Sem afetação renal. Durante o internamento apresentou melenas e hematoquézias. Tomografia computorizada abdominal com exclusão de invaginação intestinal. Internamento prolongado por pneumonia de aspiração com derrame pleural. Após alta, abandonou o seguimento.
Caso 5: 5 anos, saudável. Recorreu ao SuPed por artralgia e edema articular do joelho. Submetido a artrocentese por suspeita de artrite séptica que não se confirmou. Diagnóstico de VIgA durante o internamento após início de edema/dor escrotal e púrpura palpável.
Caso 6: 8 anos, saudável. Recorreu ao SuPed por púrpura palpável, artralgia/edema da articulação tibiotársica. Evidenciou proteinuria significativa (12.6 mg/m2/h) e microhematúria. Alta ao segundo dia com melhoria clínica. Após 8 dias foi reinternado por proteinúria nefrótica (134 mg/m2/h). Exame objetivo sem edema. Foi referenciado à consulta de Nefrologia, iniciou inibidor enzima conversora angiotensina II e, por persistência de proteinuria significativa, prednisolona oral 4 meses após o episódio inaugural. Tem agendada biópsia renal.
Todos os casos apresentaram adequado perfil tensional, normal função renal e ausência de recorrência. Metade dos casos tiveram alta da consulta após um ano de seguimento.
Conclusões: Esta série de casos traduz a diversidade de manifestações clínicas da VIgA. Os nossos dados demográficos são similares à literatura, mas a ausência de recorrência não está de acordo com a mesma. A abordagem dos casos atípicos continua a constituir um desafio na prática clínica.
Palavras Chave: hematúria, proteinúria, vasculite IgA


