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2024

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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HIPEREOSINOFILIA NA CRIANÇA MIGRANTE

Íris Fonseca1, Caroline Lopes1, Margarida Almendra1, Paula Rocha1, Sara Ferreira1, Beatriz Costa1, Diana Amaral1, Rita Machado1

1 - Unidade de Pediatria médica, Hospital Dona Estefânia, Unidade Local de Saúde São José, Lisboa, Portugal

- 1as Jornadas de Pediatria da Península de Setúbal, novembro 2024

Resumo:
Introdução: A hipereosinofilia na criança impõe investigação etiológica, estando associada a patologia alérgica, infeciosa, inflamatória ou neoplásica. O diagnóstico e abordagem atempados são essenciais, de modo a prevenir complicações como o síndrome hipereosinofílico. Apresentamos dois casos de crianças migrantes com hipereosinofilia.
Relato de caso: Caso 1 – Criança de 2 anos, género masculino, natural de São Tomé e Príncipe, evacuado do país de origem por doença de Hirschprung. Analiticamente com hemoglobina 10,5 g/L, leucócitos 26880/uL e eosinófilos 14800/uL, morfologia de sangue periférico sem alterações, IgE total 1521,0 KUV/L. Realizou investigação etiológica durante o internamento, nomeadamente com estudo de helmintíases alargado, que ficou em curso à data de alta. Realizou avaliação de lesão de órgão-alvo com ecografia abdominal e renal, radiografia torácica, ecocardiograma e observação por Oftalmologia, todos sem alterações. Teve alta medicado com albendazol empírico.  Na consulta de reavaliação, mantinha analiticamente eosinófilos 4000/uL e IgE 1920 KUV/L, com rastreio alergológico negativo, antigénio de Giardia positivo (não causadora de eosinofilia) e anticorpos ELISA para Toxocara canis positivos pelo que realizou albendazol (400mg 2id 5 dias). Caso 2 – Criança de 2 anos, género masculino, natural da Guiné-Bissau, em Portugal há 4 meses, internada por infeção respiratória baixa, à admissão com eosinofilia 2400/uL. Fez estudo etiológico que revelou serologias para Strongyloides spp. positivas, pelo que, na ausência de outros agentes identificados e parasitológico das fezes em curso à data, realizou tratamento empírico com ivermectina (200mcg/kg/dia 2 dias). Após terapêutica, verificou-se normalização da contagem de eosinófilos.
Conclusão: Perante um quadro de eosinofilia ou hipereosinofilia na criança migrante, as causas parasitológicas são as mais comuns. A hipereosinofilia persistente impõe exclusão de lesão de órgão-alvo. A toxocaríase e a strongyloidíase são frequentemente assintomáticas e, por isso, negligenciadas, devendo a hipereosinofilia motivar exclusão de infeção por estes agentes. Com o aumento da população migrante em Portugal, o Pediatra deve estar alerta para a maior prevalência destas infeções e suas manifestações, muitas vezes subtis, na criança.

Palavras Chave: Criança migrante; Hipereosinofilia;