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2024

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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HEMORRAGIA UTERINA ANÓMALA NA ADOLESCÊNCIA: QUANDO SUSPEITAR DE COAGULOPATIA

Paula Kjöllerström1

1 - Unidade de Hematologia, Área de Pediatria, Hospital Dona Estefânia, ULS S José

- Comunicação Oral: Hemorragia Uterina anómala na adolescência: quando suspeitar de coagulopatia, Simposio ANEMIA 2024 "Anemia: um Desafio Global; Mesa redonda: Jovens” 23 de Novembro, Porto

A Hemorragia Uterina Anómala (HUA) define-se pela presença de hemorragia de origem uterina, anormal em duração, volume, frequência e/ou regularidade, na ausência de gravidez. É mais frequente na adolescência e constitui uma importante causa de anemia neste grupo etário por vezes com necessidade de internamento e suporte transfusional e impacto significativo na qualidade de vida.
As HUA na puberdade podem ser multifatoriais e todas as causas incluídas na classificação de PALM-COEIN (causas estruturais – não estruturais) podem estar presentesNo entanto, nesta faixa etária, são mais comuns as causas não estruturais, nomeadamente a disfunção ovulatória fisiológica e as alterações da hemostase/coagulopatias. Frequentemente uma causa sub-valorizada de HUA, a presença de coagulopatia é de pelo menos 20% em adolescentes com HUA aguda, especialmente quando esta ocorre na menarca (com frequência o primeiro “desafio hemostático”), se hemoglobina inferior a 10mg/dl ou necessidade transfusional.
Na suspeita de coagulopatia é fundamental questionar os antecedentes pessoais e familares (história menstrual, presença de epistaxis, gengivorragias, hemorragia pos extração dentária ou outros procedimentos). Esta deve ocorrer a par da avaliação laboratorial (com avaliação da anemia e metabolismo do ferro e screening de alterações da coagulação).
Em termos de etiologia, a coagulopatia mais frequente é a doença de von Willebrand (5-20% dos casos de HUA). Outras alterações, como a hemofilia ligeira no sexo feminino (portadoras com doseamento baixo de fator), os défices raros de fatores da coagulação, as trombocitopatias (primárias ou secundárias), não devem ser esquecidas.
A abordagem da HUA na adolescente com coagulopatia deve ser multidisciplinar, por uma equipa experiente que inclua Ginecologia e Hematologia, e individualizada, tendo em conta o diagnóstico, gravidade, fenotipo hemorrágico e contexto clínico e psicossocial, com o objetivo de prevenir e tratar os episódios hemorrágicos graves e a ferropénia, melhorar a qualidade de vida e reduzir a morbilidade.

Palavras Chave: Hemorragia Uterina Anómala, Adolescente, Coagulopatia