1 - Área de Pediatria Médica, Hospital Dona Estefânia, Unidade Local de Saúde São José, Lisboa
- Reunião nacional em 24º Congresso Nacional de Pediatria
Resumo:
Introdução/Relato de caso: O abcesso intracraniano é uma complicação rara da otite média aguda (OMA), com uma incidência estimada até 7%. Menino de 3 anos, com antecedentes de amigdalites de repetição, apresenta-se com cefaleia occipital com foto e sonofobia com 5 dias de evolução, febre até D3 e vómitos nos dois dias precedentes à vinda. Em D1 de doença com o diagnóstico de OMA supurada, medicado com amoxicilina 80mg/kg/dia 12/12h e ofloxacina tópica. Ao exame objetivo com marcada prostração, cefaleia occipital exuberante, sem sinais meníngeos ou défices focais; com otorreia direita, sem sinais de otomastoidite. Dada a suspeita de OMA complicada, realizou tomografia axial computorizada cranioencefálica com estudo venoso que revelou trombose parcial do seio sigmóide direito com estenose severa e otomastoidite bilateral. Analiticamente: ligeira leucocitose com neutrofilia, PCR 18,3 mg/L. Decidiu-se internamento com ceftriaxone e enoxaparina. Em D4 de internamento por agravamento clínico com hipertensão e papiledema foi submetido, no mesmo dia, a mastoidectomia canal wall up do ouvido direito e miringotomia bilateral com colocação de tubos de ventilação, com melhoria dos sintomas após a cirurgia. Em D5 realizou ressonância magnética cerebral que revelou abcesso epidural retro-mastoideu direito, a obliterar o seio sigmoideu, excluindo-se a hipótese inicial de trombose venosa. Optou-se, então, por tratamento conservador com antibioterapia tripla endovenosa (ceftriaxone, vancomicina e metronidazol) que manteve durante 4 semanas, com resolução completa do abcesso e da clínica à data da alta. De referir exames culturais e estudo de trombofilias negativos.
Conclusões: É crucial a suspeita elevada de complicações da OMA, mesmo na ausência de sinais clínicos de otomastoidite.
Palavras Chave: abcesso intracraniano, otite média aguda, otomastoidite


