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2024

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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BIÓPSIAS RENAIS PERCUTÂNEAS EM PEDIATRIA – PRÁTICAS E COMPLICAÇÕES NUM CENTRO DE NÍVEL III

João Ferreira Simões1; Rute Baeta Baptista1; Fernando Caeiro2; Maria Costa1; Madalena Borges1; Telma Francisco1; Gisela Neto1; Margarida Abranches1

1 - Unidade de Nefrologia Pediátrica, Área de Pediatria, Hospital Dona Estefânia, Unidade Local de Saúde São José, Lisboa, Portugal. Centro Académico de Lisboa, Lisboa, Portugal;
2 - Serviço de Nefrologia, Hospital Curry Cabral, Unidade Local de Saúde São José, Lisboa, Portugal. Centro Académico de Lisboa, Lisboa, Portugal

- Reunião da Sociedade de Nefrologia Pediátrica 2024, 15/11/2024, Cascais, Poster.

Resumo:
Introdução: A biópsia renal (BR) percutânea é um procedimento de diagnóstico decisivo em várias doenças nefrológicas, sobretudo glomerulares. No entanto, não é isento de complicações, como o hematoma peri-renal e a fístula arterio-venosa. Os protocolos para a sua realização são variáveis consoante a experiência dos centros. A avaliação das complicações é relevante para a otimização deste procedimento.
Objetivos: Caracterizar a população de doentes pediátricos submetidos a BR e analisar as complicações.
Métodos: Estudo observacional prospectivo incluindo doentes pediátricos de um hospital de nível III submetidos a BR percutânea entre agosto de 2022 a abril de 2024 (20 meses). Todas as BR foram ecoguiadas e realizadas por nefrologista. Nenhum doente realizou profilaxia com desmopressina nem dose de stress de hidrocortisona. Realizou-se hemograma previamente e após a BR, controlo ecográfico pelo menos 6 horas após a BR e vigilância clínica em internamento durante, pelo menos, 24 horas. Analisou-se a evolução clínica, variação do valor de hemoglobina (Hb), ocorrência de complicações e as atitudes terapêuticas tomadas.
Resultados: Incluídos 29 doentes pediátricos (55% rapazes), cuja mediana da idade foi 14 anos (AIQ 11 - 16 anos). Os principais motivos para realização de BR foram: proteinúria nefrótica (n=6, 20,7%); síndrome nefrótica corticodependente (n=4, 13,8%); e síndrome nefrótica corticorresistente (n=3, 10,3%). A mediana da concentração de Hb antes da BR foi 12,5 g/dL (AIQ 10,5 - 13,2 g/dL) e após a BR 12,3 g/dL (AIQ 9,9 - 13,2 g/dL), variando -0,1 g/dL (AIQ -0,5 - 0,3 g/dL). Verificou-se a presença de hematoma peri-renal em 16 (55,2%) doentes, sem outras complicações identificadas. A mediana da maior dimensão dos hematomas foi 4 mm (AIQ 0 - 29 mm), tendo 8 (27,5%) o maior eixo ≥ 20 mm, destacando-se 1 de grandes dimensões (81 mm). A descida da Hb e a dimensão do hematoma apresentaram uma correlação estatisticamente significativa (r2=0,263, p=0,015). Nenhum doente necessitou de suporte transfusional, intervenção angiográfica ou cirúrgica.
Conclusões: Na nossa experiência, os hematomas peri-renais de pequenas dimensões identificados por controlo ecográfico sistemático após BR em doentes assintomáticos, não se associaram a descida significativa da concentração de Hb ou outra complicação clinicamente relevante. Futuros estudos deverão revelar a segurança da técnica, permitindo reservar o hemograma de controlo após BR para doentes selecionados com base na ecografia e clínica.

Palavras Chave: biópsia renal, complicações, hematoma peri-renal