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2024

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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ATYPICAL SCHISTOSOMIASIS AND STRONGYLOIDIASIS ENTEROCOLITIS MIMICKING INFLAMMATORY BOWEL DISEASE

Bárbara Martins Saraiva1; Beatriz Sousa Nunes1; Ana Margarida Garcia1; Filipa Santos3; Pedro Manuel Ferreira4; Silvana Belo4; Catarina Gouveia1,2; Luís Varandas1,2

1 - Unidade de Infecciologia Pediátrica, Hospital Dona Estefania, ULSSJ, Lisboa, Portugal
2 - NOVA Medical School, Universidade Nova de Lisboa, Lisboa, Portugal
3 - Unidade de Gastroenterologia Pediátrica, Hospital Dona Estefania, ULSSJ, Lisboa, Portugal
4 - Instituto de Higiene e Medicina Tropical, GHTM, Lisboa 

Publicação na Pediatric Infectious Diseases Journal - Saraiva BM, Nunes BS, Garcia AM, Santos F, Ferreira PM, Belo S, Gouveia C, Varandas L. Atypical Schistosomiasis and Strongyloidiasis Enterocolitis Mimicking Inflammatory Bowel Disease. Pediatr Infect Dis J. 2024 Sep 11. doi: 10.1097/INF.0000000000004508

Resumo:
Introdução: As helmintíases tropicais negligenciadas continuam a representar um desafio significativo de saúde pública, sobretudo em países em desenvolvimento, devido às más condições de higiene e saneamento. A globalização e a migração humana têm contribuído para a emergência destas infeções em países não endémicos, incluindo o Sul da Europa. A coinfeção por parasitas intestinais pode simular doenças inflamatórias intestinais (DII), o que dificulta o diagnóstico e pode atrasar o tratamento adequado.
Relato de Caso: Adolescente de 14 anos, natural de São Tomé e Príncipe, residente em Portugal há três meses, com antecedentes de dor abdominal difusa recorrente, emagrecimento não quantificado e diarreia com sangue há dois anos. Vivendo em zonas rurais, com contacto frequente com águas estagnadas e sem acesso a água potável, apresentava desnutrição e distensão abdominal à observação clínica. Os exames laboratoriais mostraram anemia microcítica, trombocitopenia, hipoalbuminemia e proteína C reativa elevada, sem eosinofilia. A calprotectina fecal encontrava-se bastante aumentada (1090 µg/g). As análises imunológicas, sorologias (incluindo VIH, Strongyloides e Schistosoma) e exames parasitológicos nas fezes foram negativas. A ecografia abdominal revelou linfadenite mesentérica. A endoscopia digestiva identificou alterações inflamatórias no duodeno e íleo, com biopsias sugestivas de enterocolite infecciosa. A histopatologia revelou larvas de Strongyloides stercoralis e ovos de Schistosoma com espinhos terminais, compatíveis com Schistosoma guineensis, confirmando coinfeção parasitária. A ressonância magnética enterográfica excluiu DII. O doente foi tratado com ivermectina e praziquantel, sem intercorrências, com resolução clínica e normalização dos parâmetros laboratoriais num mês, mantendo-se assintomático após um ano.
Conclusão: Este caso destaca a importância de considerar etiologias parasitárias no diagnóstico diferencial de DII, sobretudo em indivíduos provenientes de regiões endémicas. A ausência de eosinofilia e a negatividade das sorologias não excluem infeção. A histologia desempenhou um papel crucial no diagnóstico, sublinhando a necessidade de vigilância epidemiológica reforçada em países não endémicos perante a crescente mobilidade populacional.

Palavras Chave:   Doença inflamatória intestinal, Enterocolite parasitária, Histologia,  Schistosomíase, Strongiloidíase