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2024

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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ARTRITE REACTIVA A CHLAMYDIA TRACHOMATIS EM DOENTE HLA-B27 POSITIVO: DESAFIOS E IMPLICAÇÕES CLÍNICAS

Carlotta Sapia1, Beatriz Sousa Nunes1, Lorena Stella1, Tiago Milheiro Silva1, Marta Conde2, João Nóbrega3, Teresa Alves Da Silva3, Catarina Gouveia1

1 - Unidade de Infeciologia Pediátrica, Área de Pediatria Médica, Hospital Dona Estefânia, Unidade Local de Saúde de São José, Centro Clínico Académico de Lisboa, Portugal
2 - Unidade de Reumatologia Pediátrica, Área de Pediatria Médica, Hospital Dona Estefânia, Unidade Local de Saúde de São José, Centro Clínico Académico de Lisboa, Portugal
3 - Serviço de Ortopedia Pediátrica, Hospital de Dona Estefânia, Unidade Local de Saúde de São José, Centro Clínico Académico de Lisboa, Portugal

Póster, 24º Congresso Nacional de Pediatria da SPP

Resumo:
Introdução: A artrite reativa (ReA) é uma inflamação pós-infeciosa, com uma incidência de 3,5-5/100.000 pessoas/ano, 50 a 80% dos casos ocorrem em doentes HLA-B27 positivos.
Relato de caso: Rapaz, 17 anos, previamente saudável, recorre ao SU por queixas articulares dos membros inferiores, bilaterais, assimétricas com 7 dias de evolução, associada a febre desde 3 dias antes. Relações sexuais desprotegidas, sem queixas genitourinárias ou gastrointestinais. Apresentava-se queixoso com dor e edema em várias articulações, incluindo a primeira articulação metacarpofalângica da mão direita, os joelhos bilateralmente, a articulação tibiotársica direita e a primeira articulação tarso- metatársica. Sem conjuntivite. Analiticamente PCR de 106 mg/L e VS de 50 mm/h. Ecografia e TC mostraram poliartrite e sinais de celulite e tenossinovite acentuada. Artrocentese revelou líquido sinovial com leucócitos 35724 /uL e culturas estéreis. Iniciou flucloxacilina e clindamicina sem melhoria pelo que em D3 iniciou prednisolona e ibuprofeno, sem melhoria significativa, e em D6 realizou infiltração com triancinolona, com melhoria. Da investigação etiológica destaca-se PCR de C. trachomatis na urina positiva. Identificação de HLA B27 positivo. O doente e a parceira sexual foram medicados com azitromicina. Após 2 meses, já deambula sem canadianas, mas mantém episódios de artrite no joelho direito, que resolvem com terapia com AINE.
Conclusão: As infeções sexualmente transmissíveis devem ser consideradas no diagnóstico diferencial de adolescentes com artrite. Portadores de HLA-B27 apresentam formas mais graves e prolongadas de ReA.

Palavras Chave: Artrite Reativa, Chlamydia trachomatis, HLA-B27