1 - Pedopsiquiatria, Unidade de Pedopsiquiatria da Segunda Infância, Hospital Dona Estefânia, ULS São José.
- Apresentação no âmbito das III Jornadas do GERa (Grupo de Estudos da Ramada), em parceria com a USF Colina de Odivelas.
Resumo:
A adolescência é um período de muitas mudanças no desenvolvimento, com possível emergência de comportamentos de risco, como as auto-lesões não suicidárias, cada vez mais prevalentes. A sua correta identificação e distinção face aos comportamentos suicidários e à ideação suicida, embora frequentemente desafiante na prática clínica.
Estas problemáticas podem por vezes ser reveladas de novo nos cuidados de saúde primários, conferindo aos médicos de família um papel crucial na deteção, intervenção e sinalização precoce.
Segundo o DSM-5 as auto-lesões não suicidárias correspondem a danos auto-infligido com o objetivo de obter alívio de um estado emocional negativo, sem intenção suicidária, ocorrendo em pelo menos cinco dias no último ano.
A perturbação de comportamentos suicidários aplica-se a indivíduos que tenham realizado tentativa de suicídio nos últimos 24 meses, definida como qualquer comportamento auto-iniciado com pelo menos alguma intenção de morrer.
A ideação suicida pode ser passiva (desejo de estar morto) ou ativa (desejo de se matar, com ou sem plano suicidário), sem que qualquer comportamento tenha sido desencadeado nesse sentido.
Na pratica clínica a distinção entre estas entidades depende da correta avaliação da intencionalidade suicidária e do exame do estado mental, exigindo e desafiando os profissionais de saúde que observam estes jovens a ir muito mais além do apenas questionamento ou registo de verbalização espontânea de ideação suicida.
De acordo com os procedimentos de triagem e encaminhamento para as Urgências de Psiquiatria da Infância e Adolescência, em contexto de centro de saúde, os jovens com avaliação de risco suicidário devem ser observados no Serviço de Urgência de pedopsiquiatria ou pelo pedopsiquiatra assistente, caso estejam em acompanhamento. A equipa de urgência está disponível para discussão telefónica dos casos antes do encaminhamento do jovem. Por outro lado, casos em que não se apure risco suicidário eminente devem ser encaminhados para consulta de especialidade.
Esta apresentação teve assim como principal objetivo a partilha de conhecimentos em pedopsiquiatria com médicos de Medicina Geral e Familiar, com vista a sensibilizar para a deteção destas problemáticas e fortalecer a articulação e a colaboração entre os
cuidados de saúde primários e os serviços especializados, promovendo uma abordagem mais integrada, informada e eficaz.
Palavras Chave: Adolescência; Auto-lesões não Suicidárias; Ideação Suicida; Perturbação de comportamentos suicidários


