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2021

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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Sintomatologia psicótica e experiências psicotiformes na 2ª infância

Ivo Peixoto1, Joana Mesquita Reis1, Francisca Vieira1, Mariana Farinha1, Raissa Velasco Rodrigues1, Sandra Leal1, Cátia Almeida1, Andreia Araújo1, Cristina Marques1, Pedro Caldeira da Silva1, João Beirão1, Augusto Carreira1, Paula Vilariça1

1- Àrea de Pedopsiquiatria, Hospital de Dona Estefânia, Centro Hospitalar de Lisboa Central,

- XXVII Encontro da Associação Portuguesa de Psiquiatria da Infância e da Adolescência (Poster)

Resumo:
Introdução: Tem-se tornado cada vez mais evidente que muitas perturbações psiquiátricas têm o seu início na infância e adolescência. As perturbações psicóticas constituem particularmente um grande desafio ao mostrarem uma heterogeneidade significativa em termos de etiopatogenia, sintomatologia e curso evolutivo. O desenvolvimento de uma abordagem dimensional da psicopatologia bem como a identificação de endofenótipos e de marcadores de progressão são estratégias essenciais para a sua melhor compreensão e tratamento. Apesar dos estudos nesta área terem focado essencialmente a patologia ao logo da vida, tem havido um interesse emergente no periodo precedente à idade modal de início de psicose. Em particular na segunda infância têm-se intensificado as investigações sobre o pródromo de psicose na tentativa de refinar sintomatologia perceptiva, ideacional ou comportamental considerada de alto risco clínico – Clinical High Risk (CHR) de desenvolver psicose assim como sobre a relevância clínica de experiências psicotiformes.
Objetivo: Caracterizar a sintomatologia psicótica e/ou experiências psicotiformes na população clínica de duas Equipas de 2ª Infância da Área de Pedopsiquiatria do Hospital Dona Estefânia – CHLC.
Métodos: Revisão seletiva da bibliografia com definição de variáveis a partir de medidas de sintomatologia e síndromes utilizados em investigações de CHR e de experiências psicotiformes. Estudo retrospectivo recorrendo a recolha de dados nos processo clínicos de crianças com sintomatologia psicótica ou experiências psicotiformes atendidas em primeira consulta em 2013 e 2014.
Resultados: Verificou-se que sintomatologia atípica e sintomatologia positiva atenuada são as manifestações mais prevalentes na nossa amostra realçando a insuficiência das taxonomias atuais na sua descrição. É também notório que, paralelamente, existe uma elevada comorbilidade de síndromes psiquiátricos, dificultando a sua definição.
Conclusão: Apesar de compreensão científica ser ainda insuficiente e dos dilemas diagnósticos nesta faixa etária, a trajetória das investigações é promissora no desenvolvimento de algoritmos preditivos de psicose. A informação daí decorrente permitirá informar a prática clínica e o desenvolvimento de abordagens preventivas adaptadas.

Palavras Chave: Experiências Psicotiformes; Pedopsiquiatria; Psicose.