imagem top

2021

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

CHULC LOGOlogo HDElogo anuario

MALFORMAÇÃO MULLERIANA POUCO COMUM – CASO CLÍNICO

Ana Cristina Nércio, Ana Bello, Filomena Sousa, Maria José Bernardo

Ginecologia, Hospital de Dona Estefânia, Centro Hospitalar de Lisboa Central, EPE, Lisboa

-25º Congresso Mundial de Ecografia em Obstetrícia e Ginecologia; apresentação de poster

Resumo:
As malformações congénitas do trato genital feminino representam uma condição benigna bastante comum, com uma prevalência de 4-7%. Dependendo do tipo e do grau de distorção anatómica, estão associadas com problemas de saúde e reprodutivos. Relatamos um caso de uma anomalia incomum do trato genital feminino.
Uma rapariga de 17 anos de idade apresentou-se com amenorreia primária. Negava dismenorreia e a coitarca tinha ocorrido oito meses antes sem queixas. O exame físico revelou que o desenvolvimento da mama, axilar e pêlos púbicos eram normais. Ao exame ao espéculo, a vagina e o colo do útero apresentavam-se sem alterações. Já havia sido observada noutro hospital e tratada com estrogénio e progestagénio sem qualquer resultado. Do estudo complementar, de destacar cariótipo normal e os doseamentos de FSH, LH, estradiol e testosterona sugestivos do padrão reprodutivo feminino. A ecografia endovaginal revelou colo do útero e corpo uterino com dimensões e configuração normal, mas aparentemente, sem comunicação entre eles. O endométrio espesso e hiperecogênico típico de uma fase secretora e uma pequena coleção de líquido no interior da cavidade uterina - hematometra. O ovário direito aumentado com vários folículos, não se visualizando imagem do ovário esquerdo. A ressonância magnética corroborou a ecografia pélvica e a ecografia renal revelou dois rins no local normal. Realizou histeroscopia onde se observou vagina e colo do útero, sem comunicação a qualquer cavidade. A laparoscopia revelou no anexo direito, ovário e trompa sem ligação ao útero, que por sua vez se encontrava à esquerda e terminava no peritoneu sem ligação ao colo do útero ou à vagina. A vigilância subsequente não mostrou diferenças, manteve-se assintomática e a ecografia revelou hematometra estável.
A patogénese desta anomalia não pode ser definida claramente, mas poderá envolver erros embriológicos sequenciais e fenómenos vasculares.

Palavras Chave: Malformação mülleriana, ecografia