1 - Pedopsiquiatria, Unidade de Pedopsiquiatria da Segunda Infância, Hospital Dona Estefânia, ULS São José
2 - Pedopsiquiatria, Unidade de Pedopsiquiatria da Segunda Infância, Hospital Dona Estefânia, ULS São José
- Apresentação no âmbito do Módulo V — Pedopsiquiatria da 2.ª Edição Curso de Formação Contínua em Pediatria da Sociedade Portuguesa de Pediatria (online)
Resumo: As Perturbações de Sintomas Somáticos e Perturbações Relacionadas (PSSePR)constituem um conjunto de quadros clínicos frequentes na idade pediátrica, caracterizados pela presença de sintomas físicos não explicados por condições médicas identificáveis, mas geradores de sofrimento significativo e disfunção funcional. Estes sintomas são comuns em cuidados de saúde primários, com uma prevalência significativa em meninas e frequentemente relacionados com fatores psicossociais. Fatores de risco incluem vulnerabilidade genética e temperamental, perturbação parental, eventos adversos de vida e stressores psicossociais. Existem também fatores precipitantes (como infeções ou trauma) e fatores de manutenção (iatrogénicos, familiares ou relacionados com a criança). As apresentações clínicas típicas englobam episódios de dor (abdominal, cefaleia), fadiga crónica, perda de funções sensoriais/motoras e pseudocrises. Os diagnósticos específicos abrangem perturbação de sintomas somáticos, de conversão, de ansiedade de doença, perturbação factícia, entre outras. O diagnóstico baseia-se na presença de sintomas persistentes (>6 meses), com impacto na vida quotidiana e respostas cognitivas/emocionais anormais, sem explicação médica adequada; o diagnóstico é clínico e deve assentar na identificação de padrões sintomáticos positivos, evitando-se a formulação diagnóstica por exclusão. É fundamental restringir a realização de exames complementares de diagnóstico àqueles estritamente necessários, de forma a prevenir investigações excessivas, potencialmente iatrogénicas, que podem reforçar a crença na existência de uma doença orgânica grave e atrasar a abordagem dos fatores psicossociais subjacentes. A avaliação e o tratamento requerem uma abordagem biopsicossocial, privilegiando a explicação compreensível dos sintomas, validação da experiência da criança e estratégias psicoterapêuticas (como Terapia Cognitivo-Comportamental, técnicas de relaxamento, reabilitação funcional). A gestão deve ser faseada e adaptada à gravidade e complexidade do quadro, sendo indicada a referenciação à pedopsiquiatria nos casos mais graves, persistentes ou com comorbilidade psiquiátrica. O prognóstico é geralmente favorável, embora haja risco de persistência de sintomas ou desenvolvimento de psicopatologia na idade adulta. A articulação entre profissionais, o envolvimento da família e a psicoeducação são cruciais para a recuperação. A intervenção precoce e integrada entre cuidados pediátricos e de saúde mental é essencial para promover o bem-estar e prevenir a cronificação dos quadros somáticos funcionais.
Palavras Chave: adolescentes, crianças, perturbação de sintomas somáticos


