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2019

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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CHARACTERISTICS AND TRENDS OF EPILEPSY ON CEREBRAL PALSY

Eulália Calado.

Serviço de Neurologia Pediátrica, Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar Lisboa Central, E.P.E.

 - II Congresso da Federação APPC, 27-28Jan 2012, Aveiro (Comunicação oral).

A associação entre Paralisia Cerebral (PC) e epilepsia é frequente, variando a prevalência desta entre 15 e 60%, de acordo com o tipo de PC e o envolvimento cortical subjacente. Numa publicação muito recente no âmbito da SCPE (Surveillanceof Cerebral Palsy in Europe), com participação portuguesa e incluindo crianças com PC nascidas entre 1976 e 1998, num total de 9654, referenciadas entre os 5 e os 8 anos de idade (maior estudo epidemiológico até hoje realizado), 35% tinham uma história de epilepsia, com uma ligeira tendência de decréscimo na2ºmetade do estudo. Nesta vasta casuística os tipos de PC associados a maior frequência de epilepsia foram as formas disquinéticas e as espásticas bilaterais (tetras), com outros tipos de comorbilidades associadas como atraso mental e deficits sensoriais. Em outros 2 estudos epidemiológicos portugueses (também incluídos em estudos multinacionais europeus), num com 100 crianças nascidas entre 1996 e 1998, a prevalência de epilepsia era de 28%, com as formas espásticas bilaterais (tetras) e as unilaterais mais atingidas e o outro com 219 crianças nascidas em 2001 a prevalência de epilepsia era 48%, sendo mais frequente na PC disquinética e na espástica bilateral (tetra), tal como no primeiro estudo referido. A maioria dos estudos recentes continuam a referir a maior frequência de epilepsia nas tetraparésiasespásticas e também não revelam decréscimo na percentagem da epilepsia na PC. Factores preditivos de ocorrência de epilepsia numa criança com PC são a existência de convulsões neonatais, malformação cerebral, ser termo ou grande pré-termo e complicações neonatais com estadia em UCIN.
As crianças com PC, comparativamente à população geral com epilepsia, têm mais frequentemente convulsões neonatais, maior incidência de epilepsia com início mais precoce, geralmente no primeiro ano de vida (percentagem significativa com Síndrome de West), maior frequência de estados de mal epiléptico e necessidade de terapêutica múltipla e com fármacos de segunda linha. O controlo completo da epilepsia naPC só é obtido num terço dos doentes e a suspensão da terapêutica anti-epléptica não vai habitualmente além de 10% dos doentes; esta realidade que conhecemos melhor mas ainda não conseguimos modificar significativamente, continua a contribuir seriamente para o compromisso da autonomia da criança/jovem/adulto com PC.

Palavras-chave: Cerebral palsy, dyskinesia, spasticity, severe epilepsy.