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2019

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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PERTURBAÇÕES DO ESPETRO DO AUTISMO

Tiago Milheiro Silva1, Margarida Alcafache1, Cristina Pedrosa2, Patricia Lopes2, Manuela Martins2, Maria João Pimentel2, Isabel Santos2, João Estrada2, Maria do Carmo Vale2

1- Área de Pediatria Médica, Hospital Dona Estefânia
2-Unidade de Desenvolvimento, Hospital Dona Estefânia

- Sessão Clínica da Área de Pediatria Médica, 4 de Fevereiro de 2014

O conhecimento geral sobre as Perturbações do Espetro do Autismo (PEA) alterou-se significativamente nos últimos anos. Assistiu-se a uma massificação da informação disponível e ao aumento do número de casos diagnosticados. A identificação, referenciação precoce e implementação de uma estratégia de intervenção apropriada têm um importante impacto no prognóstico funcional destas crianças. Dada a preponderância cada vez maior das PEA nas consultas e Centros de Desenvolvimento far-se-á uma breve revisão teórica sobre conceitos-chave das PEA.
Apresentar-se-ão igualmente dados de um estudo retrospetivo descritivo de uma amostra de crianças acompanhadas regularmente no Centro de Desenvolvimento do HDE com o diagnóstico de PEA segundo critérios do DSM-V, no período decorrido entre os anos de 2008 a 2013 e no qual foram identificadas 153 crianças (83,5% do sexo masculino), com média de idade de 8,38 anos (mín. 2 anos – máx. 17 anos). Os principais motivos de referenciação foram: alterações do comportamento em 52 crianças (34%), suspeita de perturbação de linguagem em 38 (24,8%) e suspeita de atraso global do desenvolvimento em 33 (21,6%). A idade média aquando a primeira consulta no Centro de Desenvolvimento foi de 4 anos (mín. 1 ano – máx. 10 anos), correspondendo a 18,1% do total de primeiras consultas no Centro de Desenvolvimento no período em estudo. Em termos de apoio complementar instituído, 147 crianças (96,7%) têm apoios educativos (ao abrigo do DL 3/2008 ou DL 281/2009), 118 (77,1%) apoio de terapia da fala e 63 (41,2%) psicomotricidade/terapia ocupacional.
Na nossa população a idade de referenciação permanece tardia, demonstrando a necessidade de sensibilização dos médicos de cuidados de saúde primários e pediatras do ambulatório para esta problemática. O trabalho ilustra ainda a dificuldade que existe em implementar um programa integrado de intervenção em todas as crianças que dele necessitam, dada a escassez de recursos na comunidade. A literatura e experiência adquirida defendem, cada vez mais, uma intervenção atempada à criança e família, com resultados a médio e longo prazo encorajadores.

Palavras Chave: perturbações do espectro do autismo, intervenção, referenciação.