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2019

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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OBSTRUÇÃO BRÔNQUICA EM ADOLESCENTES NUMA CONSULTA DE IMUNOALERGOLOGIA

Joana Belo1, Isabel Peralta1, Nicole Pinto1, Sara Moura1, Sandra Santos1, Ana Brito1, Pedro Martins1,2, Nuno Neuparth1,2, Paula Leiria Pinto1,2

1 - Serviço de Imunoalergologia, Hospital de Dona Estefânia, Centro Hospitalar de Lisboa Central, EPE, Rua Jacinta Marto, 1169-045, Lisboa
2 - CEDOC, NOVA Medical School / Faculdade de Ciências Médicas, Universidade Nova de Lisboa, Campo dos Mártires da Pátria, 130, 1169-056 Lisboa, Portugal

- 2ª Reunião de Imunoalergologia do Hospital Dona Estefânia - Laboratório de Função Respiratória no Estudo das Doenças Alérgicas. 16 de Maio de 2014, Lisboa. Reunião Nacional
- Comunicação oral

Resumo:
Introdução: A asma brônquica (AB) é a doença crónica mais frequentemente observada em idade pediátrica. A abordagem desta patologia no adolescente é um reconhecido desafio. À semelhança de outros grupos etários, as provas funcionais respiratórias (PFR) assumem um papel fulcral não só no diagnóstico de AB, mas também no seu seguimento e avaliação da resposta à terapêutica.
Objectivo: Determinar a persistência de obstrução brônquica documentada por pletismografia corporal numa população de adolescentes seguida em Consulta de Imunoalergologia.
Métodos: Foram analisadas retrospectivamente todas as pletismografias corporais de adolescentes seguidos em Consulta de Imunoalergologia no período de 2010 a 2014. Destes, foram seleccionados aqueles que realizaram pelo menos duas PFR. Foi analisada a frequência de obstrução e a sua persistência ao longo de duas PFR consecutivas. Considerou-se obstrução a presença de FEV1 < 80% ou de índice de Tiffeneau < 0,70. Efectuou-se uma análise descritiva e estudo de concordância entre a primeira e a segunda PFR.
Resultados: De um total de 1031 adolescentes, 148 realizaram pelo menos duas PFR (média etária de 14.1± 2.1 anos), com predomínio do sexo masculino (60%). A mediana de tempo entre duas PFR consecutivas foi de 12 meses (p25-p75: 7-24 meses). A frequência de obstrução encontrada foi de 18,2% (n= 27) em ambos os exames. Daqueles que apresentavam obstrução na primeira PFR, 63% (n=17) mantinham critérios de obstrução na PFR subsequente. A existência de obstrução na primeira PFR associou-se à existência de obstrução no segundo exame (p<0.001). Contudo, a concordância de obstrução entre os dois exames foi moderada (Kappa de Cohen = 0,55).
Conclusão: Os resultados indicam que o controlo da AB no adolescente é um problema complexo por factores inerentes ao grupo etário. A subvalorização dos sintomas e a reduzida adesão à terapêutica poderão estar na origem deste fenómeno. Existe um subgrupo de adolescentes que se mantém obstruído ao longo do tempo, sugerindo a necessidade de desenvolver estratégias de abordagem específicas para o controlo da AB neste grupo etário.

Palavras Chave: obstrução brônquica, adolescentes, asma