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2019

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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FATORES GENÉTICOS MODULADORES DOS NÍVEIS ELEVADOS DE HEMOGLOBINA FETAL NA ANEMIA DE CÉLULAS FALCIFORMES

Teresa Almeida1, Íris Mateus 2, Lígia Braga1, Orquídea Freitas1, Paula Kjöllerström1, Paula Faustino2

  1. Unidade de Hematologia do Hospital Dona Estefânia, CHLC
  2. Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge; Lisboa

Reunião Anual da Sociedade de Hematologia e Oncologia Pediátrica (Poster) – 31/05/2014

A Drepanocitose ou Anemia das Células Falciformes (ACF) é uma anemia hereditária de transmissão autossómica recessiva caraterizada pela presença de hemoglobina S (HbS) devido à homozigotia para a mutação A>T no codão 6 do gene da beta-globina (HBB:c.20A>T). Embora se trate de uma doença monogénica, o seu fenótipo clínico é bastante heterogéneo. Este fato deve-se à influência modificadora tanto de fatores ambientais como de fatores genéticos. De entre estes últimos, salienta-se o nível elevado de hemoglobina fetal (HbF). O nível de HbF é também variável entre indivíduos drepanocíticos sendo condicionado por diversos fatores genéticos polimórficos existente no agrupamento génico da beta-globina e, por outros não associados a este agrupamento (exemplo dos fatores transcricionais BCL11A e KLF1) .

Este trabalho teve como objetivos identificar molecularmente os fatores genéticos associados a níveis elevados de HbF num grupo de doentes com ACF seguidos no HDE.

O grupo analisado foi constituído por 14 doentes drepanocíticos, com idades compreendidas entre os 3 e os 17 anos, todos com HbF elevada (média 15,8 ± 3,7%). Após extração de DNA de alíquotas de sangue periférico foram caracterizados, recorrendo a metodologias de PCR-RFLP ou a sequenciação direta pelo método de Sanger, a mutação drepanocítica, quatro polimorfismos (SNPs) no promotor do gene HGB2, os haplotipos de restrição no agrupamento génico da beta-globina, um SNP no gene BCL11A e foi sequenciado o gene KLF1. O tratamento estatístico dos resultados foi efetuado usando o software SPSS vs 20.

Após confrontação dos resultados obtidos com os encontrados anteriormente numa população semelhante, também de doentes drepanocíticos mas com HbF baixa (HbF <8%), foi possível concluir que o alelo T do SNP rs7482144 (local Xmn I a -158 de HGB2), o haplotipo Senegal, assim como o alelo C do SNP rs11886868 no gene BCL11A se encontram significativamente associados a níveis elevados de HbF neste grupo de doentes. Por outro lado, não foram encontradas alterações moleculares no gene KLF1 que pudessem ser associadas aos níveis de HbF.

Em conclusão, neste estudo identificámos polimorfismos globínicos, um SNP (HGB2_rs7482144_alelo T) e um haplotipo (Senegal), assim como um polimorfismo não globínico (BCL11A_rs11886868_alelo C) que contribuem para os níveis elevados de HbF nestes doentes e, provavelmente, estarão também associados, conjuntamente com outros fatores, a fenótipos clínicos mais ligeiros.

Palavras Chave: anemia de células falciformes, Hemoglobina Fetal