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2019

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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DOR ABDOMINAL NO SÍNDROME NEFRÓTICO – O QUE SUSPEITAR?

Ana Carvalho1, Gisela Neto1


1 – Unidade de Nefrologia, Hospital Dona Estefânia

- Sessão Clínica da Área de Pediatria Médica,  18 de Novembro de 2014

Introdução: Síndrome Nefrótico é uma entidade nosológica reconhecida desde  o  final  do século XV, caracterizada por edema, hipoalbuminémia (<2,5g/L) e proteinúria nefrótica (>40 mg/m2/hora). As complicações desta patologia dividem-se em duas  categorias: as relacionadas com a doença e as secundárias à terapêutica.

Caso clínico: Relatamos o caso de uma criança do sexo masculino de 2 anos de idade com o diagnóstico de Síndrome Nefrótico Idiopático Corticodependente. Durante o internamento por 3º recaída, com necessidade de transfusão de albumina, inicia subitamente um quadro de dor abdominal difusa, tipo cólica, recusa alimentar, vómitos não-biliosos e emissão de fezes sem sangue ou muco após estimulação. Sem febre associada. À observação apresentava abdómen depressível, difusamente doloroso e sem massas palpáveis. Analiticamente apresentava leucocitose (25,550/uL), PCR 2,1 mg/L, hipoalbuminémia (2,0g/dL), sem alterações iónicas ou da função renal. Realizou ecografia abdominal que sugeriu o diagnóstico.

Discussão: Numa criança com Síndrome Nefrótico, em que surge o quadro clínico descrito são várias as hipóteses de diagnóstico que se devem colocar, nomeadamente crise hipovolémica, peritonite bacteriana espontânea, evento trombótico e mais raramente, outras situações. Conclusão:  Apesar  da  raridade  da  associação  destas  duas  entidades,  com  apenas  8  casos descritos a nível mundial, o atraso no seu diagnóstico é potencialmente fatal. A imagiologia tem um papel importante no diagnóstico mesmo se a clínica for pouco específica.

Palavras Chave: síndrome nefrótico, peritonite, albumina, dor abdominal.