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2019

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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DIFERENTES EQUAÇÕES E DIFERENTES CRITÉRIOS DE OBSTRUÇÃO: ASSOCIAÇÃO COM AUSÊNCIA DE CONTROLO DE ASMA.

Joana Belo1, Pedro Martins1,2, David Trincão1, Isabel Peralta1, Sara Serranho1, Nuno Neuparth1,2, Paula Leiria Pinto1,2

1 - Serviço de Imunoalergologia, Hospital de Dona Estefânia, Centro Hospitalar de Lisboa Central, EPE
2 - CEDOC, NOVA Medical School / Faculdade de Ciências Médicas, Universidade Nova de Lisboa, Campo dos Mártires da Pátria, 130, 1169-056 Lisboa, Portugal

XXXV Reunião Anual da SPAIC - Asma e Ambiente. 3 a 5 de Outubro de 2014, Porto
- 1º Prémio Melhor Comunicação oral ‐ Sessão de Comunicações Orais II

Resumo:
Nos últimos anos surgiram diversos trabalhos que têm questionado a utilização de critérios fixos na interpretação de resultados de provas funcionais respiratórias (PFR). A Global Lung Function Initiative (GLI) propôs a adopção de equações de referência uniformizadoras, recomendando a utilização do limite inferior do normal (LLN) para estabelecer a existência de obstrução das vias aéreas.

Objectivo: Comparar os valores teóricos obtidos com as equações de referência utilizadas habitualmente no laboratório de função respiratória do nosso hospital (Equação 1) e os obtidos com as da GLI (Equação 2). Quisemos ainda estudar a associação de  diferentes critérios de obstrução brônquica e a ausência de controlo de asma.

Métodos: Foram avaliados 298 indivíduos com o diagnóstico médico de asma através de espirometria e do Asthma Control Tests (ACT). Na comparação dos valores teóricos das equações utilizou-se o teste de concordância de Bland-Altman. Na sequência da aplicação das equações GLI consideraram-se diferentes critérios de obstrução brônquica: FEV1< 80%, FEV1/FVC< 0,70, FEV1 < LLN e FEV1/FVC < LLN. Foi estudada a associação de cada um destes critérios com a ausência de controlo de asma (ACT<20), através do teste do Qui-Quadrado.

Resultados: A amostra era composta por 51% indivíduos do sexo masculino, com uma mediana de idades de 17 anos (p25-p75: 14-26 anos). Relativamente à Equação 1, 9% (n=26) apresentavam um FEV1< 80%. Relativamente à Equação 2, 15% (n=46) apresentavam um FEV1< 80%, 14% (n=42) apresentavam FEV1 < LLN, 23% (n= 68) um FEV1/FVC< LLN e 12% (n=35) apresentavam um FEV1/FVC< 0,70. Relativamente ao ACT, 21% (n= 61) apresentavam ausência de controlo da asma. A média das diferenças entre a Equação 1 e a Equação 2 foi de 7,6% (±1,96 SD: -6,9% a 22,2%). A ausência de controlo de asma associouse de forma significativa com a existência de um FEV1< LLN (p= 0,008) e FEV1/FVC < LLN (p=0,015), da Equação 2. Não se observaram associações significativas entre ausência de controlo de asma e a existência de um FEV1< 80%, em nenhuma das equações. A existência de um FEV1/FVC < 0,70 associou-se também com uma pontuação do ACT<20 (p=0,031).

Conclusão : Existem diferenças médias entre as duas equações de referência, aspecto que deve ser considerado na interpretação das PFR. Apesar de não existir informação disponível sobre a adequação das equações da GLI à população portuguesa, os nossos resultados sugerem que a utilização do LLN do FEV1 seja um critério útil na avaliação do grau de controlo de asma.

Palavras Chave: asma, provas de função respiratória, obstrução brônquica