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2019

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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CONJUNTIVITE NEONATAL. QUE PROFILAXIA?

Inês Serras, Flora Candeias, Maria João Brito

Unidade de Infecciologia Pediátrica, Assistente Hospitalar, Hospital Dona Estefânia, CHLC, Lisboa

Introdução: A forma mais grave da conjuntivite neonatal é causada pela Neisseria gonorrhoeae. Desde que se iniciou a profilaxia em 1880 por Credé a incidência da infeção gonocócica diminuiu drasticamente, pelo que a prevenção da infeção tem sido questionada nos países desenvolvidos.
Caso clínico: Recém nascido, 9 dias de vida, internado por conjuntivite purulenta com uma semana de evolução. Já tinha sido medicado com cloranfenicol tópico desde o 2º dia de vida sem melhoria. A mãe era adolescente e tinha tido quatro parceiros sexuais durante a gravidez. Havia a referir corrimento vaginal durante toda a gravidez. O parto foi eutócico e não foi feita qualquer profilaxia de conjuntivite neonatal. O recém nascido apresentava exsudado purulento conjuntival bilateral com edema palpebral e no exame cultural identificou-se Neisseria gonorrhoeae. A hemocultura e cultura do líquor foram negativas. Exclui-se outras DST nomeadamente infeção por Chlamydia trachomatis, sífilis e VIH. Fez terapêutica com ceftriaxone e cefotaxime ate exames culturais negativos. A avaliação por oftalmologia excluiu deficites de visão. A mãe foi referenciada à consulta de ginecologia onde se confirmou gonorreia sendo medicada com ceftriaxone. Os companheiros e outros parceiros sexuais não realizaram terapêutica por se desconhecer a sua localização. Foi feita notificação de doença infecciosa

Conclusões: Atualmente pela baixa incidência desta doença a profilaxia não é universal e quando é aconselhada não é consensual o fármaco a utilizar. Os dados nacionais são subnotificados pelo que se subentende que a conjuntivite neonatal grave é rara o que tem condicionado o abandono progressivo da profilaxia no recém-nascido. Por outro lado sabendo que existem grupos de risco, áreas de população imigrante de alta prevalência desta doença e atendendo as complicações grave não deveríamos manter a profilaxia em situações específica?

Bibliografia:

  • Credé. Reports from the obstetrical clinic in Leipzig. Prevention of eye inflammation in the newborn. Am J Dis Child. Jan 1971;121(1):3-4
  • American Academy of Pediatrics. Chlamydia Trachomatis. In: Pickering LK, Baker CJ, Kimberlin DW, Long SS, eds. Red Book: Report of the Committee on Infectious Diseases. 28th ed. Elk Grove Village, Ill: American Academy of Pediatrics; 2009:255-9
  • Prevention of Neonatal Ophthalmia. In: Pickering LK, ed. American Academy of Pediatrics. Red Book: 2012 Report of the Committee on Infectious Diseases. 29th Edition. Elk Grove Village, IL
  • PINTO, Cátia Sousa et al. Doenças de Declaração Obrigatória 2009-2012 volume I. Lisboa: Direção Geral de Saúde. 2014