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2019

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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ASPECTOS DA ALIMENTAÇÃO E NUTRIÇÃO EM IDADE PEDIÁTRICA ATRAVÉS DOS SÉCULOS

João M Videira Amaral1

1-Área da Pediatria Médica, Hospital Dona Estefânia
- Sessão Clínica da Área de Pediatria Médica, 14 de Janeiro de 2014

A História da Alimentação é tão antiga como a Humanidade, o que não acontece com a da Nutrição, esta última desenvolvendo-se sobretudo desde os primórdios da Medicina Clínica dita Científica a partir de meados do século XX.
O objectivo desta comunicação é apresentar factos históricos relacionados com a alimentação e nutrição na primeira infância ao longo dos séculos.
A metodologia de trabalho incluiu essencialmente a pesquisa bibliográfica, testemunhos de personalidades de topo da Pediatria Portuguesa e a experiência do autor da comunicação em diversas fases da sua carreira, designadamente enquanto estudante de Medicina.
Fazendo uma incursão nas culturas Grega e Romana, é dada ênfase aos procedimentos clássicos nos séculos XVII, XVII e XIX incluindo os relacionados com o papel desempenhado pelas amas e a administração de leites de diferentes animais (vaca, cabra e burra) mesmo nas situações de lactantes capazes.
A partir de meados séc. XVIII e início do Séc. XIX, a par da 2ª Revolução Industrial, assiste-se a certa inovação no que respeita à administração “artificial” de leite, com o aparecimento de recipientes de vidro (~1800) e das tetinas de borracha (~1864), tornando mais fácil o processo da alimentação.
São abordados os processos de modificação do leite de vaca, a importância da investigação de Pasteur com a noção de “poluição” microbiana do leite e da sua “pasteurização” (~1882), a par dos modernos conceitos de leites e fórmulas como resultado do desenvolvimento da tecnologia industrial.
Em meados do século passado, em consonância com uma corrente “vanguardista” com origem nos EUA e com seguidores em Portugal, contesta-se a superioridade do leite materno relativamente ao leite de vaca modificado na sequência dos estudos comprovando as respectivas diferenças quanto à composição química. Tal facto traduziu-se em declínio significativo da amamentação sobretudo na Europa e EUA, levando a comunidade pediátrica a tomar medidas.
No que respeita à evolução da alimentação diversificada salienta-se que a atitude vigente nos séculos XVIII e XIX era iniciar alimentos sólidos a partir dos 18 meses, contraindicando-se os frutos e legumes de início por serem considerados “indigestos e inúteis”.
Por fim, chamando-se a atenção para a alimentação considerada saudável e para a importância da Educação Alimentar desde a primeira infância com impacte na saúde do adulto, são focadas algumas questões actuais objecto de Investigação debatidas pela Comunidade Científica.

Palavras Chave: alimentação, nutrição, diversificada, saudável.