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2018

ANUÁRIO DO HOSPITAL DONA ESTEFÂNIA
REPOSITÓRIO MÉDICO CIENTÍFICO

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Trauma na Unidade de Cuidados Intensivos Pediátricos do Hospital de Dona Estefânia

Ana Cristina Barros, Marília Marques, Marta Oliveira, Raquel Ferreira, João Farela Neves, Lurdes Ventura

Unidade de Cuidados Intensivos Pediátricos, Hospital de Dona Estefânia, Centro Hospitalar de Lisboa Central, EPE

- Sala de conferências do HDE, Centro Hospitalar de Lisboa Central, EPE, a 14 de Maio de 2013

O trauma é a principal causa de morbilidade e mortalidade na infância nos países desenvolvidos, representando a causa mais frequente de morte após 1 ano de idade. Os acidentes de viação e as quedas são as etiologias mais frequentes e o crânio e o tórax os locais mais comuns de traumatismo.
Com o objetivo de caracterizar os doentes internados por trauma na UCIP do HDE realizou-se um estudo retrospetivo, através da revisão dos processos clínicos e consulta do REUNIR. No período de estudo de 5 anos estiveram internados 45 doentes por trauma (3,3% do total de doentes), com idade média de 8,6 anos (mediana 7,2 anos), sendo a maioria referenciada de outros hospitais (76%). Onze doentes eram politraumatizados (o trauma abdominal e crânio-encefálico foram os mais frequentes) e o tipo de acidente mais comum foi a queda. Antes da admissão na UCIP 18% (n=8) necessitaram de reanimação hemodinâmica (fluidoterapia e/ou hemoderivados) e 20% (n=9) foram ventilados invasivamente. Entre os doentes não sedados (n=36) o valor mínimo da escala de coma de Glasgow foi de 12. Durante o internamento houve falência de órgão em 20% (n=9) dos casos. Cerca de 42% (n=19) necessitou de intervenção cirúrgica (65% nas primeiras 24 horas de internamento) - um terço dos doentes com trauma abdominal realizou cirurgia; nenhum doente com TCE teve necessidade de intervenção cirúrgica. A duração média do internamento foi de 5,4 dias (mediana 4 dias).
Apresentamos dois casos clínicos ilustrativos da capacidade de actuação do nosso hospital em situações de grande gravidade.
Apesar de ser referência para o monotrauma abdominal e ortopédico, o CHLC não é actualmente o centro de referência de politrauma e neurotrauma pediátricos. Apesar disso, o CHLC apresenta know-how médico-cirúrgico nesta área, dispondo de todas as valências médicas e exames complementares de diagnóstico necessários ao adequado tratamento destes doentes.

Palavras-chave: trauma, Unidade de Cuidados Intensivos Pediátricos