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2018

ANUÁRIO DO HOSPITAL DONA ESTEFÂNIA
REPOSITÓRIO MÉDICO CIENTÍFICO

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RUPTURA UTERINA NUM ÚTERO SEM CICATRIZ ANTERIOR

Ana Cristina Nércio, André Correia, Margarida Enes, Joana Faria, Carla Leitão, Maria João Nunes

Serviço de Ginecologia, Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar Lisboa Central, Lisboa

- Reunião Científica da SPOMMF – Parto por Cesariana

Introdução: A ruptura uterina é uma situação obstétrica rara ocorrendo 1 em 1146 gravidezes (0,07%), extremamente grave tanto para a mãe quanto para o feto, que em geral ocorre e se detecta intraparto. O principal factor de risco é a existência de uma cicatriz uterina, mais comumente uma cicatriz de cesariana. No entanto, existem outros factores  de  risco  como  a utilização  inadequada de  estimulação  ocitócica,  a  grande multiparidade e a duração longa do trabalho de parto. Raramente, ocorre sem que sejam identificáveis quaisquer factores de risco com uma taxa de 1 para 8434 gravidezes (0,012%).

Relato do caso: Mulher de 22 anos de idade, saudável, antecedentes obstétricos: um parto eutócico anterior há 4 anos. Grávida de 41 semanas, internada para indução do trabalho de parto com Misoprostol (apenas 1 dose) sendo transferida para a sala de partos em início de TP onde realizou analgesia epidural. Apresentou um trabalho de parto prolongado e aos 6cm foi transferida para o bloco de partos para rotura artificial de membranas por apresentação alta. Após rotura inicia um período de bradicardia fetal mantida diagnosticando-se prolapso do cordão procedendo-se a cesariana segmentar transversal de emergência. Intra-operatoriamente constata-se ruptura uterina transversal no segmento inferior com feto na cavidade pélvica. Foi realizada histerorrafia com duas suturas, a segunda invaginante. O puerpério decorreu sem intercorrências com alta ao 3º dia pós-parto.

Conclusões: A raridade da ruptura uterina é ainda mais marcada na ausência de cicatriz uterina anterior. Neste caso, a indução do TP e a sua duração prolongada são os factores de risco identificáveis. A manifestação clínica mais comum é a bradicardia fetal que, no entanto, pode estar associada a outras complicações obstétricas, como o prolapso do cordão, concomitantemente presente nesta situação. O principal preditor do desfecho neonatal é a monitorização da actividade cardíaca fetal durante o trabalho de parto, e neste caso clínico permitiu a detecção precoce e um desfecho mais favorável para mãe e para o feto.