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2019

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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2004-2012: 8 ANOS DE EXPERIÊNCIA DE DESSENSIBILIZAÇÃO/ INDUÇÃO DE TOLERÂNCIA AO LEITE DE VACA.

Elena Finelli1, Eugénia Almeida2, João Antunes1, Sara Prates1, Paula Leiria Pinto1.

1 - Serviço de Imunoalergologia, Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar Lisboa Central, E.P.E.;
2 - Serviço de Imunoalergologia Hospitais da Universidade de Coimbra.

- 33ª Reunião Anual SPAIC, Fátima, 5 a 7 Outubro de 2012 (Poster).

Introdução: A alergia às proteínas do leite de vaca (APLV) IgE-mediada representa um fardo para as crianças e as suas famílias. A indução de tolerância (ITO) pode constituir uma alternativa em doentes com APLV persistente ou grave.

Objectivo: Revisão das ITO ao leite de vaca (LV) realizadas no nosso Serviço desde 2004.

Métodos: Foi proposta ITO a 14 crianças, 13 com APLV persistente e 1 com sintomas apenas acima do limiar de 125ml. Foram administradas doses progressivas de LV utilizando diferentes protocolos, adaptados às características de cada doente, com o objectivo de alcançar a dose-alvo de 200ml/dia.

Resultados: Média etária 9,3 anos (1 a 17); relação sexo M/F 1:1. Foi iniciada ITO com LV crú em 12 crianças (progressão de dose em casa em 1). Em 3 crianças optou-se (de início ou em 2ª escolha) por ITO com LV cozinhado (progressão de dose em casa em 2). A dose-alvo foi atingida em 7 doentes (50%), dos quais 6 com LV crú, numa duração média de 6,2 meses (2 a 18). Mantêm-se em regime de dieta sem restrições em média há 11,6 meses (1 mês a 3,5 anos) e não tiveram, até à data, reacções adversas, excepto 1 caso com 2 episódios de urticária periocular ligeira. Em 4 doentes a ITO está ainda em fase de incremento de doses (2 com leite crú e 2 com leite cozinhado). No decorrer de ITO com LV crú, observámos reacções anafilácticas graves em 2 casos (um passou a utilizar LV cozinhado e outro tem exigido uma progressão particularmente lenta) e a emergência de patologias que impediram a continuação do tratamento em 2 outros doentes (esofagite eosinofílica e dor abdominal persistente). Salienta-se também em 2 casos, o problema da má adesão à dieta, seja na fase de indução ou de manutenção. Nos casos de sucesso, observamos uma diminuição nos valores das IgE específicas de LV e fracções.

Conclusões: A ITO ao LV representa uma abordagem alternativa em casos de APLV persistente/grave e pode ser considerada uma opção eficaz. Destaca-se a necessidade de adequar o protocolo predefinido às características de cada doente, prestando atenção ao aparecimento de reacções adversas e planeando estratégias alternativas para ultrapassar as dificuldades na progressão. Salienta-se a importância de uma motivação duradoura do doente e da família para o sucesso da ITO. Nos casos apresentados, o objectivo último da aquisição de tolerância não pode ainda ser confirmado, uma vez que não foram submetidos a um período de evicção secundária seguido de uma PPO.

Palavras-chave: indução de tolerância, alergia alimentar, criança.