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2019

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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COMPLICAÇÕES GINECOLÓGICAS E SPINA BÍFIDA: O PAPEL DO GINECOLOGISTA

Filomena Sousa


Serviço de Ginecologia/Obstetrícia; Hospital D. Estefânia, Centro Hospitalar Lisboa Central, EPE

- Reunião de Primavera da Neuropediatria, 24 e 25 Maio 2013, Coimbra.

Introdução: A esperança de vida das pessoas com spina bífida tem vindo a aumentar e muitas jovens  com esta patologia atravessam a adolescência e entram na vida adulta sem saber o que esperar da sua  vida sexual e reprodutiva. Do mesmo modo, técnicos de saúde e cuidadores desconhecem as particularidades desta população e não  sabem que aconselhamento fazer para que estas jovens possam usufruir da sua sexualidade e decidir de forma informada em relação à sua função reprodutiva. Objetivos: O objectivo desta apresentação é reunir a informação disponível sobre os aspetos ginecológicos das mulheres com spina bífida e fazer uma exposição sucinta mas elucidativa do que é possível fazer na prática clínica.

Desenvolvimento: As jovens com spina bífida têm a puberdade mais cedo, o que parece estar relacionado com a existência de hidrocefalia. A falta de sensibilidade do períneo, a incontinência de esfíncteres e as limitações motoras condicionam a vida sexual mas, não a impedindo, tornam-na mais imaginativa e complexa. O exame ginecológico é quase sempre possível e os rastreios devem ser iguais aos da população em geral. Quando a gravidez não está nos planos, a contraceção é necessária e deve ter em conta a alergia ao látex e o risco tromboembólico, A procriação é possível mas deve ser programada e acompanhada por uma equipa multidisciplinar que inclua o obstetra, o cirurgião, o urologista e o neurologista. A suplementação com ácido fólico e o aconselhamento pré-concecional são indispensáveis. A gravidez tem maior risco de complicações, nomeadamente aborto, malformações fetais, parto pré-termo, infecções urinárias, úlceras de pressão e problemas com a derivação ventrículo-peritoneal. O parto é condicionado pelas cirurgias prévias e pelas limitações motoras, sendo desejável um parto vaginal.

Conclusões: As complicações ginecológicas devem ser encaradas como desafios tanto para as jovens com spina bífida como para os técnicos. As mulheres com spina bífida são férteis e necessitam de uma contracepção segura e eficaz quando a gravidez não é desejada. Apesar de terem maior risco de complicações obstétricas, as mulheres com spina bífida podem ter filhos saudáveis.

Palavras Chave: Spina Bífida, sexualidade, contraceção , gravidez, parto.