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2019

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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SENSIBILIZAÇÃO/ALERGIA AO AMENDOIM

Cátia Fernandes Alves, Ana Margarida Romeira, Paula Leiria Pinto.

Serviço de Imunoalergologia, Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar Lisboa Central, E.P.E.

- 33ª Reunião Anual SPAIC, Fátima, 5 a 7 Outubro de 2012 (Comunicação Oral).

Introdução: A alergia alimentar existe em 6 a 8% das crianças e em 3 a 4% dos adultos. O amendoim é um dos alimentos mais frequentemente implicados. Embora, as alergias alimentares tenham maior prevalência na idade pediátrica, a alergia e sensibilização a amendoim/frutos secos prevalecem na idade adulta.
As reacções alérgicas ao amendoim são particularmente graves, sendo as reacções anafilácticas frequentes.

Métodos: Em 2006, foi efectuado um estudo com o objectivo de se encontrar a prevalência de sensibilização e alergia a amendoim numa população seguida em consulta de Imunoalergologia. Para tal, foram efectuados testes cutâneos por prick (TC) a 1415 doentes, tendo-se encontrado prevalências de sensibilização de 2,8% (40 doentes com TC positivos para amendoim) e de alergia de 0,4% (5 doentes com TC positivos e sintomas com a ingestão).
No presente trabalho, pretendeu-se, usando a mesma metodologia, reavaliar em 2012 os 40 doentes com sensibilização a amendoim, com o intuito de avaliar a evolução da sensibilização/alergia a este alimento.

Resultados: Dos 40 doentes com sensibilização a amendoim em 2006, foi possível reavaliar 16 doentes (2 alérgicos e 14 com sensibilização assintomática em 2006).
Os 2 doentes alérgicos em 2006 mantiveram evicção de amendoim, sem ter ocorrido contacto com este alimento. Os TC mantiveram-se positivos.
Dos 14 doentes com sensibilização assintomática em 2006, 11 mantinham TC positivos e 3 apresentavam TC negativos em 2012 (estes últimos ingerem amendoim sem queixas). Destes 11 doentes com TC positivos (assintomáticos em 2006), 2 referiam o aparecimento de sintomas com a ingestão de amendoim (eczema e angioedema/sensação de aperto da orofaringe), correspondendo a alergias de novo.
De referir que, alguns doentes, que em 2006 tinham TC positivos mas ingeriam amendoim sem reacção, fizeram evicção de amendoim por iniciativa própria.

Discussão: O número reduzido de doentes da amostra é uma limitação do presente estudo, mas alguns dos doentes com sensibilização assintomática a amendoim parecem vir a desenvolver sintomatologia no futuro. É importante perceber se há diferenças no perfil alergénico destes grupos, de forma a entender qual a evolução esperada nos vários doentes. De igual modo, ponderar qual a indicação a dar aos doentes sensibilizados mas sem sintomatologia – evicção para todos, pelo risco de virem a desenvolver sintomas, ou só em determinados casos?

Palavras-chave: alergia alimentar, amendoim, epidemiologia.