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2019

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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TUBERCULOSE DAS GLÂNDULAS SALIVARES – UM CASO RARO

Margarida Almendra1, Marta Conde2, Humberto Vassal3, Catarina Gouveia1

1 - Unidade de Doenças Infecciosas, Hospital de Dona Estefânia, Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central – EPE. Lisboa. Portugal
2 - Unidade de Reumatologia, Hospital de Dona Estefânia, Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central – EPE. Lisboa. Portugal
3 - Serviço de Pediatria da Unidade de Portimão, Centro Hospitalar e Universitário do Algarve

- 19º Congresso Nacional de Pediatria

Introdução: A tuberculose extra-pulmonar pode envolver a cabeça e pescoço, contudo, o envolvimento das glândulas salivares é raro.
Caso clínico: Adolescente de 12 anos, com aftose oral recorrente e nódulo sublingual de crescimento progressivo desde os 10 anos de idade. Diagnosticado quisto da rânula e submetida a marsupialização com confirmação histológica de mucocelo. Desde os 11 anos episódios recorrentes de tumefação da rânula com drenagem espontânea, um dos episódios complicado com celulite/ angina de Ludwig, tendo sido submetida a exérese da glândula em 2017. Por novo episódio em Janeiro de 2018 faz citologia aspirativa que revelou raros BAAR, TAAN e exame cultural positivo para M. tuberculosiscomplex sensível aos anti-bacilares de 1ª linha. Não foi repetido exame histológico e a pesquisa de IgG4 foi negativa. Não apresentava outras alterações no exame objetivo. Radiografia de tórax mostrava uma hipotransparência para-hilar direita, a TC tórax não mostrava alterações, o IGRA e a pesquisa BK suco gástrico foram negativos. Iniciou terapêutica antibacilar quadrupla estando actualmente no 5º mês de terapêutica com Isoniazida e Rifampicina. Ambos os pais realizaram rastreio para a doença que foi negativo.
Discussão: Atuberculose das glândulas salivares deve ser um dos diagnósticos diferenciais no caso de tumefação glandular persistente ou recidivante. Geralmente não se associa a sintomas constitucionais e não há evidência de tuberculose activa noutras localizações. A maioria resolve com terapêutica antibacilar, sendo a cirurgia uma opção em caso de resistência/falência da terapêutica antibacilar.