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2019

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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STRESS PRÉ-NATAL – IMPACTO NO DESENVOLVIMENTO EMOCIONAL DO BEBÉ E RISCO DE PSICOPATOLOGIA

Sandra Pires1, Cláudia Gomes Cano1, Ana Catarina Serrano2, Mariana Farinha1

1 - Pedopsiquiatria, Área da Mulher, Criança e Adolescente, Hospital de Dona Estefânia, Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central, Lisboa
2 - Unidade de Psiquiatria da Infância e da Adolescência, Serviço de Pediatria, Hospital Garcia de Orta, Almada

- Trabalho apresentado nas Primeiras Jornadas do Centro de Estudos do Bebé e da Criança

Resumo
Introdução: A ideia de que as emoções e experiências da mulher grávida afectam o desenvolvimento do feto não é recente. Apesar de muitos dos conceitos anteriormente pensados terem já sido colocados de parte, atualmente esta ideia tem sido fortemente estudada. Vários estudos têm tentado clarificar os mecanismos através dos quais o stress pré-natal materno pode afetar o bebé. O potencial papel do eixo hipotálamo - hipófise - supra-renal (HHS) tem sido largamente estudado, tendo sido demonstrado que alterações no funcionamento do eixo HHS materno induzidas pelo stress se encontram relacionadas com compromisso no desenvolvimento dos descendentes. A evidência de sobreatividade e desregulação do eixo HHS nos descendentes permite colocar a hipótese de um aumento do risco de perturbações de ansiedade e depressivas ao longo da vida, défices na memória e cognição.
Objetivos: Aferir a possível relação entre experiência de stress no período pré-natal e o impacto negativo no desenvolvimento psicoafetivo/psicopatologia no bebé.
Métodos: Revisão descritiva de estudos sobre stress pré-natal, risco de psicopatologia e alterações do desenvolvimento da criança.
Resultados e Conclusões: Mais do que uma relação direta com um determinado diagnóstico psicopatológico, a exposição a stress pré-natal parece afetar vários sistemas fisiológicos envolvidos no vasto espetro de psicopatologia. Os efeitos mais prováveis da exposição a stress perinatal parecem ser perturbações afetivas, como depressão e ansiedade, relacionadas com as alterações no eixo HHS. A memória e capacidade de aprendizagem podem também estar alteradas pelo efeito dos glicocorticóides na aquisição destas capacidades. Os resultados permitiram, ainda, colocar como hipótese o facto do stress pré-natal constituir uma experiência adversa ainda mais precoce na infância, com potencial impacto no neurodesenvolvimento, e também a hipótese de que estas crianças possam apresentar maior risco de vivenciar experiências precoces adversas na infância. Estas questões reforçam a importância de uma atitude preventiva, o mais precoce possível.

Palavras Chave: Prevenção, Risco, Stress Pré-natal