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2019

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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SÍNDROME GATO-PORCO – UMA QUESTÃO DE ALBUMINAS?

Inês Sangalho1, Susana Palma-Carlos1, Paula Leiria Pinto1

1 - Serviço de Imunoalergologia, Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar Lisboa Central

Reunião Nacional, apresentação sob a forma de Póster na 39ª Reunião Anual da SPAIC. Figueira da Foz, 28 a 30 de Setembro de 2018

Introdução: A síndrome gato-porco é rara, ocorre em doentes alérgicos ao epitélio de gato (EG) e resulta da reactividade cruzada entre albuminas séricas (Alb S) de gato (Fel d 2) e de porco (Sus s 1). Geralmente existe alergia respiratória a EG que precede a alergia alimentar (por ingesta, contacto ou inalação), o que sugere sensibilização primária à Alb S do gato. Como a Alb S é termolábil, o quadro é mais grave quando a carne está menos cozinhada.
Caso clínico: Mulher, 27 anos, moçambicana, residente em Lisboa há 8 anos (A). Sempre teve cães e gatos, mas desde que está em Portugal não tem quintal; tem cão há 6A e gato há 3A. Desde a adolescência tem rinoconjuntivite com agravamento vespertino e indoor, pior desde há 3A. Além disso, teve 2 episódios que ocorreram cerca de 30min após ingesta de carne de porco (CP): o primeiro há 6A com edema labial e urticária, desde o qual ficou em evicção e o segundo com urticária e angioedema após ingesta acidental (croquete). Refere ainda edema local reprodutível no contacto com CP crua. Os testes cutâneos por picada foram positivos para blomia tropicalis (BL), acarus siro (AS), oliveira (OL), gramíneas selvagens (GR), epitélio de cão, EG e CP crua; a CP cozinhada foi negativa. Aplicou-se na pele CP crua com prurido após 3 minutos e pápula eritematosa e pruriginosa no local aos 5 minutos, compatível com reacção imediata. Quanto ao doseamento de IgE específica em KUA/L: EG 38,9; CP 3,47; AS 2,45; BL 2,33, OL 4,37, GR 6,72. Está em curso o restante estudo imunológico e tem agendada prova de provocação com CP bem cozinhada.
Conclusões: O agravamento recente do quadro respiratório da doente parece ser explicado por contacto mais prolongado e no interior com faneras, sendo que o quadro clínico-laboratorial aponta para a síndrome gato-porco. Apesar da raridade, estes casos podem estar na origem de reacções anafiláticas e a sua correcta identificação e caracterização é fundamental. De acordo com a revisão da literatura publicada, este é apenas o segundo caso descrito em Portugal. Desconhece-se o efeito da imunoterapia específica com extracto de EG no controlo do quadro alimentar.