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2019

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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POLISSENSIBILIZAÇÃO A PÓLENES ANALISADA E REINTERPRETADA À LUZ DO MÉTODO IMMUNOCAP ISAC®

Marta Chambel1, Miguel Paiva1, Sara Prates1, Virgínia Loureiro2, Paula Leiria Pinto1.

1- Serviço de Imunoalergologia, Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar Lisboa Central, E.P.E.;
2- Patologia Clínica, Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar Lisboa Central, E.P.E.

- Rev Port Imunoalergologia 2012; 20(3):191-199.

Introdução: O ImmunoCAP ISAC® (Immuno Solid-phase Allergen Chip - ISAC) é um novo teste in vitro que visa a detectação e identificação semi-quantitativa de IgE específica sérica (IgEe) para múltiplos componentes alergénicos moleculares.

Objectivos: Analisar os resultados do método ISAC em doentes com alergia respiratória e testes cutâneos por picada (TCP) sugestivos de polissensibilização a pólenes.

Métodos: Seleccionámos 34 doentes com alergia respiratória e TCP positivos para extractos de 2 ou mais pólenes. Em todos foi determinada IgEe para alergénios moleculares pelo método ISAC, assumindo-se como positivos valores ≥0,3ISU. Analisámos os resultados obtidos para os pólenes testados pelos dois métodos (gramíneas, parietária, artemísia, salsola, oliveira, plátano, bétula).

Resultados: A mediana de idades é 18 anos, com predomínio do sexo masculino (56%). Nos TCP, a mediana de positividades por doente é 4, sendo o maior número para gramíneas (n=33) e o menor para bétula (n=10). Por ISAC, o maior número de positividades observa-se para alergénios de gramíneas (n=31 doentes), surgindo a bétula em 2ºlugar (n=20) e o plátano em último (n=6). Para todos os pólenes, excepto gramíneas e bétula, o número de resultados positivos é maior nos TCP do que no ISAC.
A concordância entre os 2 métodos é elevada para gramíneas (91%), variando entre 79% e 47% para os restantes pólenes. À excepção da bétula, os casos discordantes resultam sobretudo de positividade nos TCP com resultado negativo no ISAC. Para a bétula, os casos discordantes resultam do fenómeno oposto.
A frequência de sensibilização a panalergénios (rPhl p7, rPhl p12, Bet v2, Bet v4) é maior nos casos de discordância entre os 2 métodos do que nos concordantes.

Discussão: Na amostra estudada, as gramíneas são o principal sensibilizante, com boa concordância entre os 2 métodos. Para os restantes pólenes há um número considerável de doentes em que o ISAC é negativo apesar de TCP positivos. Numa percentagem elevada, este fenómeno surge associado à sensibilização a panalergénios, podendo esta ser responsável por resultados falsamente positivos nos TCP, causando um padrão de polissensibilização aparente. O ISAC dá um contributo útil para discriminar entre polissensibilização e reactividade cruzada, permitindo reformular estratégia terapêutica.

Palavras-chave: Immuno Solid-phase Allergen Chip, ImmunoCAP ISAC, polissensibilização, pólens.