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2019

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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SÍNDROME DE ENTEROCOLITE INDUZIDA POR PROTEINAS ALIMENTARES – A NOSSA REALIDADE

Ana Palhinha1, David Pina Trincão1, Ana Neves1, Ana Margarida Romeira1, Cátia Alves1, Paula Leiria Pinto1,2

1 - Serviço de Imunoalergologia, Hospital de Dona Estefânia, Centro Hospitalar de Lisboa Central, E.P.E., Rua Jacinta Marto, Lisboa, Portugal
2 - CEDOC, Integrated Pathophysiological Mechanisms Research Group, Nova Medical School, Campo dos Mártires da Pátria, 1150-190 Lisboa, Portugal.

- Reunião Nacional, apresentação sob a forma de Comunicação Oral na 39º Reunião Anual da SPAIC, Figueira da Foz, 28 a 30 de setembro de 2018

Resumo:
Introdução: A Síndrome de Enterocolite Induzida por Proteínas Alimentares (FPIES) é uma alergia alimentar não mediada por IgE, cuja prevalência ainda é desconhecida e geograficamente variável.
Objectivo: Caracterizar clinicamente a população da nossa consulta com este diagnóstico.
Metodologia: Revisão retrospectiva de processos de doentes com o diagnóstico de FPIES, observados no serviço por um período de 3,5 anos (Janeiro/2015-Junho/2018). Os doentes foram selecionados de acordo com os critérios de diagnóstico do Consenso Internacional para Diagnóstico e Tratamento de FPIES, publicados pela American Academy of Allergy, Asthma e Immunology (J Allergy Clin Immunol 2017;139:111-26).
Resultados: Foram identificados 24 doentes com o diagnóstico de FPIES, 23 crianças e 1 adulto (mediana de idade 4,4 mínimo 1,5 e máximo 32 anos, género feminino 54% (n=13)). O leite de vaca (LV) foi o principal alimento identificado, responsável por 46% (n=11) dos casos, seguido pelo peixe em 29% (n=7), ovo em 17% (n=4) e por fim trigo, soja, grão, batata e cenoura (4%,n=1, cada um). Em 92% (n=22) dos doentes, foi implicado um só alimento; em 1 doente identificaram-se 2 alimentos (grão e pescada); e em 1 doente, 3 alimentos (LV, trigo, soja). Clinicamente, a apresentação inicial foi de FPIES aguda em 22 doentes e de FPIES crónica em 2 doentes (ambos a leite nesta apresentação). Verificou-se apenas 1 caso de FPIES atípica, cujo alimento envolvido foi o trigo. Nos doentes pediátricos a idade média de início dos sintomas foi 6,5 meses, com um desvio padrão (DP) de 4 meses, com um intervalo de tempo até ao diagnóstico de 15 meses, aproximadamente. Na doente adulta, a sintomatologia com ovo, surgiu aos 25 anos, com um intervalo de 72 meses até ao diagnóstico. Em 6 doentes, a evolução clínica é desconhecida e em 13, ainda não foi adquirida tolerância alimentar. Nos restantes 5 casos foi adquirida tolerância, com uma idade média de 5,5 anos (DP=1,09), e os alimentos envolvidos foram LV (n=2), ovo, peixe e batata (n=1, respectivamente). Quanto a antecedentes de atopia, cerca de 46% (n=11) tinha história pessoal, sendo o eczema atópico a patologia mais frequente (n=8); enquanto 67% (n=16) apresentava história familiar. Em nenhum caso se verificou história familiar de FPIES.
Conclusão: O principal alimento implicado foi o LV, seguido pelo peixe, tal como descrito na literatura em países mediterrânicos (Espanha e Itália). O ovo parece ganhar preponderância na nossa população relativamente a alimentos como os cereais.

Palavras Chave: FPIES; alergia alimentar