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2019

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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SÍNDROME COMPARTIMENTAL DO ANTEBRAÇO E MÃO

Catarina Pereira1

1 - Serviço de Ortopedia, Hospital Professor Doutor Fernando Fonseca, EPE, Amadora

- 5th EPOS-EFORT BAT Instructional Course Trilogy - Part II: Paediatric Trauma, 15 de Março de 2018, Viena-Áustria (Comunicação Livre)

Resumo: O Síndrome Compartimental do antebraço e mão é uma emergência ortopédica que pode comprometer a viabilidade do membro afectado. Esta entidade resulta do aumento da pressão do compartimento osseofascial o que leva a diminuição da perfusão do membro e subsequentemente ao dano irreversível do musculo e nervo. Apresento o caso de uma criança do género feminino, com 6 anos de idade, que sofreu um traumatismo do membro superior direito por esmagamento com trator agricola. Na avaliação clínica referia dor progressiva do antebraço e mão direitos com parestesias nos primeiros três dedos, apresentava edema do antebraço e mão, flexão da articulação interfalangica proximal e dor na extensão dos dedos. Radiograficamente apresentava fracturas em ramo verde do rádio e cúbito distais. No bloco operatório, por inexistências de dispositivo próprio, foram medidas as pressões dos compartimentos com recurso a um sistema fechado de coluna de soro conectado a um aparelho de medição da pressão venosa central, constatando-se aumento da pressão de todos os compartimentos do antebraço (volar, dorsal e lateral), pressões superiores a 30 mmHg. Na mão verificou-se um aumento do segundo e terceiro compartimentos interósseos dorsais. Procedeu-se então a fasciotomia emergente do compartimento volar do antebraço (abordagem de Henry com abertura do canal cárpico), de seguida foi novamente avaliada a pressão dos outros compartimentos do antebraço que já tinham normalizado. Foram ainda realizadas fasciotomias na mão com duas incisões longitudinais sobre o segundo e quarto metacarpicos. Os cuidados de penso foram realizados com terapia de pressão negativa a cada 48 horas, sendo efectuado encerramento primário das feridas progressivamente ao longo de 10 dias. Na reavaliação das seis semanas a doente encontrava-se com feridas operatórias cicatrizadas, sem dor e com boa mobilidade do membro, tendo retomado as suas actividades habituais.

Palavras Chave: compartimental, fasciotomia, mão, síndrome