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2019

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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QUANDO A PNEUMONIA NÃO RESPONDE À ANTIBIOTERAPIA. A PROPÓSITO DE UM CASO CLÍNICO DE PNEUMONIA ORGANIZATIVA CRIPTOGÉNICA

Nicole Pinto1, João Carvalho2, Ana da Rocha Dias2, Ana Sofia Oliveira2, Lurdes Carvalho2, Cristina Bárbara2

1 - Serviço de Imunoalergologia, Hospital de Dona Estefânia, CHLC, E.P.E.
2 - Serviço de Pneumologia, Hospital Pulido Valente, CHLN, E.P.E.

- Apresentação sob a forma de póster em Reunião Nacional - XXV Congresso de Pneumologia do Norte. Porto, 28 de Fevereiro a 2 de Março de 2018

Resumo:
Introdução: A forma idiopática da pneumonia organizativa, a pneumonia organizativa criptogénica (COP), é uma doença intersticial difusa dos bronquíolos respiratórios e distais, ductos e paredes alveolares. A sua patogenia é desconhecida sendo que o diagnóstico final exige exclusão de outras patologias através de adequada avaliação clínica, imagiológica e histológica, frequentemente com recurso a biópsia pulmonar.
Caso clínico: Mulher de 74 anos, caucasiana, doméstica, não fumadora, com diagnósticos prévios de asma brônquica, diabetes mellitus tipo 2 e hérnia do hiato. Admitida por pneumonia adquirida na comunidade a Enterobacter aerogenes isolado no lavado broncoalveolar (LBA), complicado por insuficiência respiratória aguda hipoxémica, com necessidade de antibioterapia prolongada de largo espectro. A tomografia computorizada de alta resolução (TC-AR) do tórax evidenciou consolidação intersticial dos dois terços inferiores do hemitorax direito. Por melhoria clínica, teve alta hospitalar. Oito dias após a alta, recorreu novamente ao Serviço de Urgência por persistência de tosse não produtiva, dispneia, subfebril e adinamia. Negava perda ponderal, hemoptises, artralgias, xerostomia ou xeroftalmia. Foi re-internada para esclarecimento do quadro. Repetiu TC-AR de tórax que revela aumento da consolidação, com aparecimento de duas consolidações mistas no pulmão esquerdo, localizadas no lobo superior e peri-hilar. Laboratorialmente com leucocitose (16850), proteína C reactiva de 7,26 mg/dL e velocidade de sedimentação de 70 mm/h. Repetiu broncofibroscopia com LBA que revelou 3% linfócitos e culturas bacteriológica, micológica e micobacteriológica negativas. O estudo de autoimunidade e serologia VIH foi negativo. Realizada broncofibroscopia rígida com criobiópsias, cuja histologia demonstrou hiperplasia fibroblástica intraalveolar e dos pneumócitos com infiltrado linfoplasmocitário com eosinófilos no interstício, compatível com o diagnóstico de COP. Iniciou corticoterapia com prednisolona per os na dose de 0,75 mg/kg/dia, com melhoria rápida dos sintomas e alterações radiológicas. Actualmente em consulta externa, sob corticoterapia em desmame.
Discussão: Os autores pretendem com este caso clínico alertar para o diagnóstico de COP, uma forma de pneumonia intersticial idiopática cuja apresentação clínica é insidiosa, mimetizando muitas vezes uma pneumonia adquirida na comunidade. Tal como descrito na literatura, a resposta à corticoterapia foi bastante favorável, com resolução rápida clínica e imagiológica. O prognóstico da doença é bom podendo, no entanto, ocorrer recidivas.

Palavras Chave: Pneumonia organizativa criptogénica, Doença intersticial pulmonar