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2019

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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OS ACIDENTES NUMA UNIDADE DE CUIDADOS INTENSIVOS PEDIÁTRICOS: UMA REALIDADE EVITÁVEL E DE ELEVADA MORBILIDADE

Stella Langa1,2, Lia Mano1, Inês Salva1, Raquel Ferreira1, Sérgio Lamy1, Margarida Santos1

1 - Unidade de Cuidados Intensivos Pediátricos, Área da Mulher, da Criança e do Adolescente, Hospital de Dona Estefânia, Centro Hospitalar de Lisboa Central, E.P.E.
2 - Unidade de Cuidados Intensivos Pediátricos, Hospital Central de Maputo, Moçambique

- XXI Reunião da Sociedade de Cuidados Intensivos Pediátricos; Lisboa, 23 de Novembro de 2018 (poster com discussão)

Introdução: os acidentes são a primeira causa de morte em crianças com mais de um ano de idade, principalmente os acidentes rodoviários, queimaduras e afogamentos. Motivam internamento hospitalar em 5-10% dos casos. A prevenção na segurança do meio envolvente é fundamente para evitar estas situações.
Objetivo: análise dos doentes internados numa UCIP por acidente.
Material e métodos: estudo retrospetivo descritivo e caso controlo com consulta do processo clínico e base de dados REUNIR, dos doentes internados por acidente, num período de 10 anos (janeiro de 2008 a dezembro de 2017).
Resultados: foram analisados 3402 internamentos neste período, dos quais 200 foram por acidente (6%), 64% do género masculino com mediana de idade 7,5 anos (mín 0, máx 18). A duração mediana de internamento foi de 5 dias (mín 1, máx 74). Os tipos de acidente foram: queimadura (42%), queda acidental (26%), acidente envolvendo veículos (13%) (9% de acidentes rodoviários e 3,5% de atropelamentos), intoxicações (7,5%), quase-afogamento (2,5%) e ingestão/aspiração acidental de corpo estranho (2%). Causas mais raras foram esmagamento (1,5%), acidente com animal (1,5%), lesão/toxicidade iatrogénica (1,5%), acidente com máquina (1%), anafilaxia (1%) e acidente com arma de fogo (0,5%). O tipo de acidente esteve associado ao local de ocorrência, ocorrendo com maior frequência no exterior nas quedas (48,5%) e no domicílio nas queimaduras (77%) (p<0.01). Houve necessidade de intervenção cirúrgica em 48%, maioritariamente nas quedas e acidentes envolvendo veículos (57%, p<0,01). Houve falência de órgão em 31%, predominantemente respiratória (46%), 36% com necessidade de ventilação invasiva e 10% de suporte aminérgico. A ventilação foi mais frequente nas quedas (34%) e nas queimaduras (30%) (p<0.01). Faleceram dois doentes.
Discussão: os acidentes em crianças podem ser causa de internamento em cuidados intensivos e potencialmente letais. Neste estudo, os politraumatizados e queimados foram os mais frequentes, estes últimos associados ao facto de se tratar de um hospital centro de referência desta patologia. A colaboração multidisciplinar é fundamental na abordagem destes doentes.

Palavras Chave: acidentes, cuidados intensivos, multidisciplinar, queimadura, trauma.