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2019

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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NÓS E O ENSINO: A EXPERIÊNCIA PRIVILEGIADA DA CASA DA PRAIA.

Catarina Garcia Ribero1; Sofia Vaz Pinto1; João Beirão2

1 - Médico Interno de Formação Específica, Pedopsiquiatria, Área da Mulher, Criança e Adolescente, Hospital Dona Estefânia; Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central, Lisboa.
2 - Assistente Hospitalar, Chefe de Equipa, Pedopsiquiatria, Área da Mulher, Criança e Adolescente, Hospital Dona Estefânia; Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central, Lisboa.

- 9º Encontro Nacional de Internos de Psiquiatria da Infância e da Adolescência, 8 e 9 Novembro 2018.
- Publicação sob a forma de poster.

Resumo:
Introdução: A Casa da Praia foi um dos legados de João dos Santos e dos quais se orgulhava. Foi ali onde criou, experimentou e reformulou hipóteses terapêuticas, nomeadamente a combinação entre a pedagogia terapêutica, atividades expressivas e o método clínico. Integrado num estágio de segunda infância, a experiência de grupos e das reuniões clínicas da Casa da Praia, feita por internas de Pedopsiquiatria, provocou a discussão e reflexão que constitui o conteúdo do presente trabalho.
Relato de Caso: Menina de 7 anos em intervenção na Casa da Praia por dificuldades na relação com os pares, cumprir regras, manter a atenção e agitação psicomotora em context escolar. Pretende-se discutir à luz do caso clinico referido a premência da formação dos professores no que diz respeito ao desenvolvimento emocional das crianças e jovens, visto o peso da percepção dos professores nos pedidos de primeira consulta de Pedopsiquiatria e na evolução dos casos; a importância da articulação dos pedopsiquiatras com a escola; os benefícios para os médicos internos de Pedopsiquiatria da experiência vivencial do Modelo de Intervenção da Casa da Praia.
Conclusões: Na Vinheta Clínica apresentada observamos uma criança com um funcionamento mental que se regia pela tónica de uma reatividade impulsiva. Um EU mal integrado e inconsistente pobre em conteúdos simbólicos resultando num bloqueio da atividade de pensar, num agir constante que não lhe permitia enfrentar as dificuldades escolares. Reparar o interior, entendê-lo e integrá-lo, pressupõe um trabalho de reconstrução que leva tempo, a par com o desenvolvimento de atividades de sonhar, simbolizar, desenhar e fantasiar. Com a orientação do técnico de pedagogia, a criança permite-se ligar as suas representações ao afeto e ao comportamento. A criança “mais organizada” pode então aderir a saberes. A experiência vivencial dos Grupos de Casa da Praia permite-nos observar a mudança que se gera na interioridade da criança, na busca do sentido de aprender. Como o desejo de aprender é inato, algo desviante se passa na pessoa que se opõe a fazê-lo no seu processo de crescimento. Observar as transformações de ordem afetiva e relacional é muito rico para o médico interno de Pedopsiquiatria.

Palavras Chave: Casa da Praia; Internato médico; Pedagogia; Pedopsiquiatria.