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2019

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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NEFROTOXICIDADE INDUZIDA POR FÁRMACOS - (IN)EVITÁVEL?

Tânia Moreira1, Telma Francisco2, Raquel Santos2, Gisela Neto2, Ana Paula Serrão2, Margarida Abranches2

1 – Área da Mulher, Criança e Adolescente, Hospital Dona Estefânia, CHULC, EPE
2 – Unidade de Nefrologia Pediátrica, Hospital Dona Estefânia, CHULC, EPE

- 19º Congresso Nacional de Pediatria, Estoril, 24-26/Outubro/2018 (comunicação oral)

Resumo:
Introdução e Objectivos: A nefrotoxicidade induzida por fármacos é uma importante causa de lesão renal, particularmente na população pediátrica.
Metodologia: Análise retrospectiva de processos clínicos de doentes referenciados a Nefrologia Pediátrica de 2011 a 2018 por lesão renal de etiologia farmacológica. Colheita de dados demográficos, clínicos e laboratoriais.
Resultados: Apresentamos 18 doentes, 61,1% rapazes, 61,1% com idade <5 anos (dois meses - 17 anos, mediana 2 anos, média 7 anos), 33,3% com antecedentes de prematuridade, 72,2% internados por doença grave (sépsis 3; pneumonia 2; infeção fúngica 1; infeção por CMV 1; SIDA 1; pancreatite 1) ou submetidos a cirurgia (apendicite com peritonite 1; artroscopia do joelho 1; hidrocefalia 1; enterocolite necrotizante 1). Em 38,9% estava prescrito um nefrotóxico e em 50,0% ≥3 nefrotóxicos. Os antibióticos foram os agentes mais frequentemente implicados (61,1%), na sua maioria aminoglicosídeos (63,6%). Os fenótipos clínicos mais frequentes foram lesão renal aguda (50,0%) e disfunção tubular (44,4%); em 16,7% verificou-se associação de mais de um fenótipo clínico. Em 38,9% dos casos foi possível suspender o fármaco implicado. Um doente necessitou de diálise peritoneal. Em 83,3% a lesão foi reversível, sendo que dois doentes mantêm doença renal crónica e um síndrome de Fanconi secundário a ifosfamida.
Conclusões: A nefrotoxicidade induzida por fármacos pode ser grave e responsável por sequelas a longo prazo. É obrigatória a avaliação dos fatores de risco pré-existentes (prematuridade, idade mais jovem, doença crónica), da gravidade da doença aguda e do potencial nefrotóxico dos fármacos prescritos. A adequação das doses, a vigilância clínica e a monitorização laboratorial podem prevenir a lesão renal aguda ou permitir a sua deteção precoce.

Palavras Chave: nefrotoxicidade, fármacos, lesão renal aguda, aminoglicosídeos