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2019

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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MANIFESTAÇÕES GASTROINTESTINAIS DA ALERGIA ALIMENTAR

Sara Prates

Serviço de Imunoalergologia, Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central, Lisboa

- Apresentação como nas 19ª Jornadas de Pediatria de Évora, Évora, 10 e 11 de maio de 2018

Resumo:
A alergia alimentar manifesta-se ao nível do aparelho digestivo de diferentes formas, dependendo do segmento atingido e do tipo de mecanismo imunopatológico subjacente. Pode apresentar-se de forma aguda ou crónica. No primeiro caso temos as reacções de hipersensibilidade mediadas por IgE com manifestações exclusivamente digestivas ou multissistémicas (reações anafiláticas) ou a enterocolite induzida por proteínas alimentares, uma entidade não mediada por IgE. As manifestações digestivas crónicas de alergia alimentar normalmente correspondem a quadros não mediados por IgE (proctocolite, enterocolite crónica ou enteropatias) ou por mecanismos mistos, em que se enquadra a esofagite e outras gastroenteropatias eosinofílicas. O diagnóstico assenta, em primeiro lugar, numa anamnese detalhada, sendo necessário excluir cuidadosamente uma série de patologias alternativas, em particular nos casos de alergia alimentar não mediada por IgE. Os métodos para deteção da presença de IgE específica são apenas úteis no diagnóstico das reações mediadas por IgE; nas restantes não dispomos de qualquer método laboratorial que permita identificar de forma fiável o alimento implicado. É frequente o recurso à endoscopia digestiva alta e/ou baixa para documentar a presença de alterações macro e microscópicas na mucosa do tubo digestivo sugestivas de um diagnóstico alternativo ou, indiretamente, da possibilidade de alergia alimentar. A confirmação do diagnóstico assenta, em qualquer caso, na observação da resposta à dieta de eliminação do alimento suspeito e reaparecimento dos sintomas após a sua reintrodução.
O tratamento baseia-se na dieta de evicção do alimento implicado. A dieta deve ser individualmente adaptada a cada caso e o menos restritiva possível. Poderá ser necessário um acompanhamento por dietista. Tendo em conta que estas situações são, na maior parte dos casos, transitórias o estado de tolerância deve ser reavaliado periodicamente, garantindo sempre as necessárias condições de segurança para evitar desencadear reações graves.