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2019

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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LIGAÇÕES – DO GESTO À COMUNICAÇÃO

Cristina Martins Halpern1

1- Unidade de Desenvolvimento, Centro de Estudos do Bébé e da Criança, Área da Mulher, Criança e Adolescente, Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central, Lisboa

- 1ºs Jornadas do Centro de Estudos do Bebé e da Criança, Mesa “Construções e Ligações”. Lisboa, 4 de junho de 2018
- Sessão Clínica da Área da Mulher, Criança e Adolescente, Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central, Lisboa, 3 de julho de 2018, comunicação oral

Resumo:
No primeiro ano de vida a atividade motora inata vai-se transformando com a experiência. Além da presença de padrões motores inatos como são os que resultam dos reflexos arcaicos do recém-nascido, ou de padrões organizados e previsíveis como são os movimentos globais descritos por Prechtl, surgem movimentos adquiridos, voluntários e involuntários, que servem propósitos motores, como a locomoção, por exemplo, mas também a relação e a comunicação. É no final do primeiro ano de vida do bebé, no aparecimento do gesto de apontar, que se marca um encontro entre a motricidade, a comunicação e a relação, porventura o encontro mais icónico entre estas diferentes áreas do neurodesenvolvimento. O gesto de apontar requer pré-requisitos motores, pré-requisitos de ordem motivacional (imperativos e declarativos) e de ordem socio-cognitiva. Estes aspetos, no seu detalhe, trazem uma ponderação clínica importante na avaliação da relação, da comunicação, da interacção e da linguagem no bebé. Apesar do seu papel preponderante na primeira infância, apontar permanece como um instrumento de comunicação básica ao longo da vida, abarcando de forma diversa culturas e contextos e acompanhando a comunicação verbal e não verbal. A perspetiva é, porém, mais alargada, a ligação inicial, ontogénica, entre o gesto e a linguagem é o detalhe de uma ligação ampla entre a ação e a linguagem. As transições motoras específicas surgem, no desenvolvimento, como um catalisador, têm impacto em diversas áreas, imprimindo uma mudança de paradigma ao contexto do bebé. Assim, na primeira infância, a ação motora e a linguagem, que da relação emergem, não são áreas totalmente independentes do neurodesenvolvimento. Sublinha-se o carácter participativo e facilitador das aquisições motoras no desenvolvimento da comunicação, da linguagem e da relação.

Palavras Chave: apontar, comunicação, neurodesenvolvimento