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2019

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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JOVEM REFUGIADO NA CONSULTA DE PEDOPSIQUIATRIA: UMA ABORDAGEM DINÂMICA - DA ERITREIA, ATRAVESSOU O EGIPTO E AGORA ESTÁ EM PORTUGAL – REFLEXÃO A PARTIR DE UM CASO CLÍNICO.

Catarina Garcia Ribero1; Sofia Vaz Pinto1; João Beirão2

1 -  Médico Interno de Formação Específica, Pedopsiquiatria, Área da Mulher, Criança e Adolescente, Hospital Dona Estefânia; Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central, Lisboa
2 - Assistente Hospitalar, Chefe de Equipa, Pedopsiquiatria, Área da Mulher, Criança e Adolescente, Hospital Dona Estefânia; Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central, Lisboa

- XXIX Encontro Nacional da Associação Portuguesa de Psiquiatria da Infância e da Adolescência.
- Publicação sob forma de apresentação.

Resumo:
Introdução: A migração forçada, principalmente em precárias condições socioeconómicas, pode causar um impacto significativo no bem-estar psicossocial e na saúde mental de crianças, jovens e adultos a par com o desgaste físico e mudanças do ambiente e situação financeira. Segundo os dados da ESCAP (European Society for Child and Adolescent Psychiatry) existem atualmente cerca de 65,6 milhões de pessoas deslocadas forçosamente à escala mundial, apenas 17% destes são asilados na Europa. Cerca de 25% são menores de 18 anos (crianças e adolescentes) e sabe-se que os refugiados, requerentes de asilo e migrantes irregulares correm maior risco de psicopatologia.
Relato de Caso: A partir de um caso clínico de um menino de 9 anos da Eritreia, que atravessou o Egito com a sua família (mãe e dois irmãos), tendo chegado a Portugal há dois anos, que foi referenciado pela escola à consulta de Pedopsiquiatria do Hospital Dona Estefânia por alterações do comportamento, este trabalho propõe uma reflexão de cariz dinâmico sobre a abordagem das crianças e jovens refugiados na clínica. Será dado relevo ao contexto e vulnerabilidades da população migrante (partindo dos conceitos de sentimento de continuidade e de identidade como resultado de um processo de interação continua entre três vínculos de integração – espacial, temporal e social).
Metodologia: Foi feita uma revisão bibliográfica sobre a saúde mental de crianças e jovens refugiados, através da declaração da posição da ESCAP e pesquisa de artigos na base PubMed com as palavras-chave “refugiados”, “crianças” e “saúde mental”, partiu-se do estado da arte da problemática atual do fenómeno migratório, para uma abordagem dinâmica com base nos escritos de autores como León Grinbeg, Rebeca Grinberg, Marie Rose Moro, Thierry Baubet e Daniel Marcelli.
Conclusões: O movimento migratório que se tem verificado, nomeadamente dos refugiados, acarreta repercussões no equilíbrio familiar, com potenciais dificuldades de inserção social e cultural. A criança é alvo preferencial do estudo deste complexo processo pela sua dependência física e psicológica dos pais (também eles em mudança), socialização em curso através da escolarização e formação de identidade.

Palavras Chave: “Migração e Saúde Mental”; “Pedopsiquiatria”; “Psicopatologia transcultural”; “Refugiados”.