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2019

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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Infection prevention and control in special situations: Neonatal care

Maria Teresa Neto

Faculdade de Ciências Médicas/NOVA Medical School/UNL. CHLC, Dona Estefânia Hospital Lisbon. Portugal

- Palestra. Lisbon Antimicrobial Resistance and Healthcare Associated Infections. 2018 Congress: Think global. Act local. Lisbon, 6th April

A infecção hospitalar (IH) não é um mal inevitável. A interiorização dessa verdade e o conhecimento das causas são primordiais para a sua evicção. A neonatologia tem, neste campo, especificidades que a distinguem das outras áreas da prestação de cuidados. Para além do que é comum a essas outras áreas - higiene das mãos, utilização racional de dispositivos invasivos e de antimicrobianos, experiência e estabilidade das equipas da prestação de cuidados, e educação do pessoal de saúde e da família, há ainda que considerar dois aspectos fundamentais: a evicção da prematuridade, uma medida crucial, uma vez que o recém-nascido pré-termo (RNPT) constitui a maior população de doentes das unidades de cuidados intensivos neonatais (UCIN) em número, tempo de internamento e necessidade de dispositivos invasivos, e a promoção do aleitamento materno precoce. Em Portugal a taxa de prematuridade cresceu de 5,6% em 2001 para 8% em 2016; por outro lado a IH é quádrupla nos RN com peso ao nascer (PN) <1000g quando comparados com a população de PN >2500g. Pode afirmar-se que os doentes internados em UCIN sofrem a influência de todos os factores condicionantes de elevadas taxas de IH nomeadamente factores intrínsecos, extrínsecos inerentes ao doente e extrínsecos inerentes às UCIN. Ao longo dos últimos 10 anos não se verificou nas UCIN portuguesas decréscimo significativo da taxa de utilização do CVC nem da sépsis associada ao CVC. Do mesmo modo a taxa de IH em geral manteve-se praticamente constante apesar dos esforços em cada UCIN para diminuir essa taxa. Constante mesmo é o microrganismo mais frequentemente isolado em hemocultura de RN doentes – Staphylococcus coagulase negativa – uma das razões porque a letalidade é relativamente baixa - 4,6%. Contudo esse não é um motivo de descanso porque para lém de estadias muito mais prolongadas e custos directos mais elevados é hoje sabido que a sepsis bacteriana pode condicionar sequelas a nível de neurodesenvolvimento e as infecções respiratórias de origem viral, sequelas no aparelho respiratório.

Keywords: Incidence, Hospital-Acquired Infection, Neonatal Intensive Care Units